DESTAQUE

COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Bastidores: 2Pac ‘All Eyez On Me’

[Este artigo foi originalmente publicado em Outubro de 2004 pela XXL]



Quando 2Pac saiu da prisão e caiu nos braços da Death Row Records e Suge Knight, ele estava ansiosíssimo para entrar exponencialmente no estúdio e fazer música. O resultado disso foi ALL EYEZ ON ME, cujo álbum foi o primeiro duplo do hip-hop, que solidificou o status de 2Pac como “o maior repper do jogo”. Vamos voltar em 1996.



Nas semanas que antecediam a chegada de Tupac Shakur no outono de 1995 no Can-Am Studios de Los Angeles — de fato a casa de gravações da Death Row —, o lugar estava antecipadamente eufórico. Foram feitos arranjos, faixas já preparadas. A saída dele ainda não havia sido informada na imprensa, mas a saída de ’Pac da Upstate New York Clinton Correctional Facility foi iminente.

O dono da Death Row Records, 
Suge Knight, pagou uma fiança de $51,4 milhões em troca da assinatura de ’Pac com seu selo. Quando 2Pac chegou no estúdio às 12:00 de Sexta-feira, em 13 de Outubro de 1995, trabalhou até o amanhecer do dia seguinte, completando as músicas “Ambitionz Az A Ridah” e “I Ain’t Mad At Cha”. O processo de criação da primeira faixa foi emblemático. Ele, pós-prisão, mostrava mais ardor e contundência ao compor. A diferença de seu álbum anterior — Me Against the World, disponibilizado pela Interscope/Atlantic Records durante seu encarceramento — foi palpável. “Me Against the World foi escolhido pela gravadora para ter todas as músicas positivas, sem raiva ou agressividade nas letras”, disse B-Legit, que participa do All Eyez On Me. “Todo o material que ele escreveu durante esse tempo que expressava quem ele era, não poderia expor. Então, quando ele saiu da prisão e assinou com a Death Row, foi como se ele tivesse liberdade para expor tudo aquilo que precisava ser dito.”

2Pac monopolizou os dois quartos do Can-Am Studios. O álbum teve uma boa rotatividade de produtores para atender seus pedidos: Johnny J, Daz Dillinger, DJ Quik, Rick Rock e Mike Mosley, Doug Rasheed, Devante Swing, Bobcat, DJ Pooh e QD3. (Dr. Dre, que contribuiu em apenas duas faixas, estava planejando sua saída da Death Row.) O álbum duplo — 27 faixas, sem interlúdios e/ou skits  foi completamente finalizado em duas semanas. 2Pac, uma estrela incansável, porém, ficou no estúdio por um total de três meses — gravando um total de 100 faixas. “Death Row tinha instruído [os engenheiros assistentes] a sempre tirar e esconder as fitas no cofre”, explicou o ex-engenheiro chefe da Death Row, Rick Clifford. “Escondemo-las. Ninguém ficou com uma cópia sequer. É por isso que ainda há registros de 2Pac.” Com tudo isso pronto, Suge certamente recuperou seu investimento inicial que pagou para tirar 2Pac da prisão. XXL falou com as pessoas que trabalharam nesse álbum clássico da Costa Oeste. — Adam Matthews


Compilado por Jon Caramanica, Imani Dawson, Ben Detrick, Jack Erwin, Toshitaka Kondo, Adam Matthews, Justin Monroe, Keith Murphy e Vanessa Satten


All eyez on:

Kurupt: Vice presidente da Death Row, membro do duo de rep Tha Dogg Pound
Tommy D: Engenheiro/mixer
Rick Rock: Produtor do Alabama
Dru Down: Repper de Oakland, Califórnia
E-40: Repper de Vallejo, Califórnia; fundador do selo independente Sick Wid It Records; líder do grupo de rep The Click
B-Legit: Repper de Vallejo, Califórnia; primo de E-40; membro do grupo The Click

D-Shot: Repper de Vallejo, Califórnia; irmão do E-40; membro do grupo The Click
Richie Rich: Repper de Oakland, Califórnia
E.D.I.: Repper do Brooklyn; membro do Outlawz
DJ Pooh: Produtor; roteirista de Los Angeles
K-Ci: Cantor de Charlotte, Carolina do Norte; membro do grupo de R&B, Jodeci
Dave Aron: Engenheiro/mixer
Kastro: Repper do Harlem; membro do Outlawz
Danny Boy: Cantor de Chicago; antigo a Death Row
Big Syke: Repper de Inglewood, Califórnia; membro do antigo grupo de 2Pac, Outlawz
Napoleon: Repper de Nova Jersey, membro do Outlawz
Mike Mosley: Produtor de Fairfield, Califórnia
Nate Dogg: Cantor/repper de Long Beach, Califórnia
QD3: Filho de Quincy Jones, produtor e cineasta
Rick Clifford: Engenheiro
Johnny J: Produtor de Los Angeles
Daz Dillinger: Primo de Snoop Doggy; repper e produtor; membro do Tha Dogg Pound
DJ Quik: Repper/produtor/engenheiro/mixer de Compton
Eboni Foster: Cantor de Benicia, Califórnia
Carlos Warlick: Mixer




Disco 1



1. Ambitionz Az A Ridah

Produzida por Daz Dillinger


Dave Aron: Esta é a primeira música que fiz com 2Pac. No dia em que saiu da prisão, ele não foi aos clubes. Ele não tentou encontrar mulheres. Ele foi direto para o estúdio como se estivesse em uma missão, e gravou “Ambitionz Az A Ridah” e “I Ain’t Mad At Cha”. 2Pac veio, e ele estava fora da prisão. Eu vi que eles lhe deram o medalhão da Death Row na mesma noite. Ele estava preparado para adentrar. Ele era muito exagerado, muito concentrado, cheio de energia — uma energia louca. E você poderia dizer que ele estava realmente em uma missão. Ele teve uma visão real do que estava acontecendo, e queria fazer muito naquele curto tempo.

Daz: A ideia veio enquanto eu estava sampleando Pee Wee Herman “Joe Ski Love”. Então se você ouvir, notará facilmente que tirei dela. Fiz uma parada bem gangsta nela e dei para ’Pac. Ele foi ao estúdio e gravou.

Kurupt: Já no primeiro dia dele fora da prisão emergiu “Ambitionz Az A Ridah” — esse foi a primeira música que ele gravou. Suge o trouxe. A palavra que passou pelo escritório foi que ’Pac estava de volta. Todo mundo [que estava] no estúdio estava lá no momento. Eu fui um pouco mais tarde, e quando cheguei, Daz já estava reproduzindo o beat. ’Pac não estava no estúdio há mais de 45 minutos antes de ter seu primeiro verso finalizado e ter encaixado tudo, muito fugaz. Ele nem queria relaxar; tudo o que ele queria fazer era ficar no microfone. Assim que ele chegou em Los Angeles, passaram-se duas horas e ele já tinha finalizado o primeiro verso.


2. All About U

Participando: Dru Down, Hussein Fatal, Nate Dogg, Snoop Doggy Dogg, Yaki Kadafi

Produzida por Johnny J, 2Pac


Dru Down: Estava eu, ’Pac, Syke, Rage e alguns membros dos Outlawz no estúdio. Nós sempre tínhamos vadias no estúdio. A única coisa louca foi que, os manos do Outlawz — Hussein Fatal e Kadafi — iriam participar da faixa. Como um interlúdio no final. Eu fiz o início [improvisos que não foram creditados]; eles iriam fazer algo no final... Mas eles não estavam entendendo, pois estavam extremamente chapados e bêbados. Estavam estragando o momento. Eles estavam na cabine do microfone só para brincar, e estavam viajando, e quando ’Pac passou por ali, disse: “Acho melhor todos vocês saírem daí antes que a coisa fique feia. Eu não sei o que diabos vocês estão fazendo.” Eles estavam apenas brincando, levando muito tempo, perdendo tempo.

Johnny J: Essa foi uma das músicas mais iradas que eu já havia feito com 2Pac. Recortei parte de uma música do Cameo [“Candy”, single de 1986]. Nate, Snoop, todos sentados perto dos alto-falantes, fazendo suas coisas. A próxima lembrança que eu tenho [cantando]: “Every other city we go/ Every other video...” (Qualquer outra cidade que vamos/ Qualquer outro vídeo...) Eu falei: “Nate, eu sei que você está brincando.” Ele disse: “Nah, mano. Estamos realmente falando sério. Esse é o refrão perfeito — estamos falando sobre um vídeo de vadias.”

Nate Dogg: Era eu, ele [2Pac] e Snoop, e estávamos falando sobre todas as minas que vimos antes. A coisa toda surgiu de uma filmagem. Estávamos em uma filmagem, e isso foi tão engraçado que parecia que Snoop conhecia a garota, ’Pac a conhecia, ou eu. Pensamos tipo, “Merda, em todos os lugares que vamos vemos as mesmas garotas.” E foi assim que a música surgiu. Era o mesmo de sempre: um pouco de licor, uma pequena porção de maconha. Nós fizemos muito isso. ’Pac gravou seus versos em uma só tomada, de primeira. Depois disso ele não parava de cantar. Nós nos divertimos muito.


3. Skandalouz
Participando: Nate Dogg

Produzida por Daz Dillinger


Nate Dogg: Essa música foi gravada em 10 minutos. A batida já estava feita. Nós não íamos ao estúdio para esperar alguém fazer beat na hora. Nós nunca ficávamos lá o suficiente. [Trabalhar com ’Pac] era como trabalhar com seu irmão. Ele era um pequeno filho da puta selvagem, cheio de energia. Ele teve uma oportunidade e abraçou com ardor. Porque ele não queria estar na Death Row Records. E eu acho que ele tinha três ou quatro... Não tenho certeza do tipo de contrato de álbuns que ele teve. Mas ele queria sair do selo, no entanto. Então ele gravava pelo menos de duas a três músicas por dia.

Dave Aron: ’
Pac era exigente e muito difícil de algumas pessoas trabalharem. Ele já tinha trabalhado com os engenheiros da sala antes... Ele era fácil de trabalhar se você lhe desse o que queria. Ele queria trabalhar rápido, rapidamente. Ele não queria mexer com um monte de coisas tecnicamente. Então você tinha que ter algo que o agradasse imediatamente. Ele chegava e queria gravar, não do topo da música, mas quando entrava pela primeira vez na cabine, dizia: “Coloque isso nessa faixa.” E ele começava a falar várias paradas. Ele fazia com que as pessoas ficassem no tempo dele porque sabia que suas coisas eram mais importantes. Ele tinha a sensação de que ele era importante.


4. Got My Mind Made Up

Participando: Daz, Kurupt, Method Man, Redman

Produzida por Daz Dillinger


Daz: Fizemos essa música na minha casa. Kurupt passou no Method Man e Redman e vieram para minha casa. E tem também a participação do Inspectah Deck, do Wu-Tang Clan. Ele aparece no final — “I.N.S., the rebel...” (I.N.S., o rebelde). Apenas sua voz. Eles captaram sua voz, tiraram seu verso e mantiveram o fundo porque isso soava muito bom. Não ficou uma música completamente de ’Pac. Depois fui à casa de Dr. Dre e a deixei lá. [2Pac estava] usando fio dental quando eu disse: “Eu consegui uma batida com Method Man e Redman. Dre fez isso.” Foi isso o que Dre disse a ’Pac. Foi assim que toda rixa começou entre Dre e ’Pac. Porque eu estava caminhando pelo estúdio dizendo tipo, “Esse é o meu beat. Eu fiz isso.” ’Pac [indagou]: “Esse é o seu beat daquela situação?” Foi aí que ele e Dre começaram a conflitar. Dre pegou seu crédito e não estava fazendo nada, não estava nem ao redor do estúdio.

Kurupt: A gravação original era eu, Rage, Redman, Method Man e Daz. Eu disse a Daz: “Mano, isso é ímpar, precisamos usar isso, precisamos colocar no nosso álbum Dogg Food.” Porque nós gravamos essa música enquanto fazíamos Dogg Food. Quando ’Pac saiu da prisão, nós perguntamos a ele, “Você quer esse beat?”, e ele disse: “Lógico, é claro que eu quero!” E ele gravou seu verso onde era para Rage gravar, porque Rage colocou seu verso em outra coisa, e foi assim que essa faixa foi feita para o álbum de ’Pac. Eu, Method Man, Redman, Daz e Rage — essa era a gravação original, com Inspectah Deck aparecendo no final. Foi o que você ouviu no final: “Wish... this... bliss...” (Desejo... esta... felicidade...) Isso veio do Inspectah Deck.

Eu fui até Red, Meth e Deck pessoalmente e os levei à casa de Daz. Nós efetuamos a gravação entre três, quatro horas. Isso foi um acordo feito, e então nós... Nós não íamos usar isso, porque Daz não estava sentindo como mixá-la e fazer tudo isso. Nós finalizamos e mostramos para ’Pac quando ele chegou, porque Suge tinha dito: “Quando é hora de trabalhar em um projeto, todo mundo precisa dar tudo de si, não importa para quem seja.”


5. How Do U Want It

Participando: K-Ci & JoJo

Produzida por Johnny J


Dave Aron: Danny Boy estava originalmente no refrão. Eu já tinha essa faixa mixada. E no último minuto, ’Pac quis acrescentar K-Ci e JoJo para aperfeiçoar mais. Talvez isso foi uma decisão entre ele e Suge e qualquer coisa. Sei lá.

K-Ci: Uma noite, eu e JoJo estávamos sentados na beliche, e Suge me ligou, porque nós realmente somos bons amigos com a família Death Row e tudo mais. Ele nos perguntou se gostaríamos de participar de uma música com ’Pac, e nós respondemos: “Porra, mas é claro que sim! Por que não?” Fomos ao estúdio naquela mesma noite. Assim que recebemos o telefonema nos preparamos. Mano, nós estávamos apenas viajando no estúdio, nos divertindo à beça. Se todos prestarem atenção na letra da música, saberão o que estávamos fazendo lá. [Nós] tínhamos as garotas lá dentro, fazendo suas coisas. A música saiu pegando fogo. Teve uma parte engraçada no início, quando ’Pac estava tentando cantar, tentando nos ensinar como é que fazia. Eu estava tipo, “Eu sei onde você está tentando nos mostrar como fazer, ’Pac, mas isto não está soando tão bem.” De qualquer forma, nós o ouvimos fazendo sua rima, e nós pensamos: “Cara, nós conseguimos botar para foder nisso”, porque ’Pac veio forte também.


6. 2 of Amerikaz Most Wanted

Participando: Snoop Doggy Dogg

Produzida por Daz Dillinger


Dave Aron: Nós estávamos no estúdio, e ’Pac e Snoop estavam lá. Em grandes passos, Suge — e isso foi antes de iniciarem “2 Of Amerikaz...” —, ele é muito grande, Snoop também é meio alto, mas ele é muito magro. Suge agarrou ’Pac com um braço, e agarrou Snoop com o outro e puxou os dois juntos, quase formando-os em um. Ele disse: “Eu acho que vocês devem fazer uma música juntos. Eu acho que seria ótimo.” Foi incrível ver o quão grande ele era, colocando os dois juntos. E eles acabaram fazendo essa música.

Daz: Na época, ’Pac estava indo ao tribunal. Snoop estava no tribunal. Havia muita química entre eles.

Rick Clifford: ’Pac foi muito persistente para que o álbum ficasse como ficou. Tudo isso que você ouve foi gravado de primeira, em uma tomada. Eles não podiam voltar e consertar qualquer coisa. ’Pac disse que o álbum seria número um, porque o hip-hop é diferente do R&B. Se um cara não pode sair e cuspir de 8 a 16 linhas, ele ainda não está pronto. Ele dizia que adorava gravar assim em uma tomada porque nisso há uma certa sensação diferente. Dizia que se as pessoas voltassem e tentassem corrigir, começariam a pensar nisso, e perderiam a real sensação, estragariam a coisa. Então o único que se recusou a fazer desse jeito foi Snoop. Ele foi para casa e disse que voltaria no dia seguinte para fazer melhor, com mais calma e sem pressa. Eu acho que Snoop foi para casa e aprendeu algumas coisas para acrescentar da melhor forma. No dia seguinte, Snoop entrou no estúdio e gravou de primeira. Snoop disse: “Espere um minuto. Você não vai me deixar fora da primeira tomada. Espere e eu vou voltar e fazer isso amanhã.”


7. No More Pain

Produzida por DeVant Swing


Dave Aron: Eu estava no estúdio por volta das 20:00. O resto do pessoal chegou depois — 22:00, 23:00. Às 3 da manhã, DeVante apareceu sozinho. Ele queria colocar mais algumas partes antes de mixá-la. Era uma faixa muito expansiva. Mas as partes do teclado que ele colocou ficaram muito estranhas. Ele estava muito quieto naquela noite. Muito focado. Foi interessante vê-lo trabalhar. Ele terminou pelas cinco ou seis da manhã e disse: “Eu quero mixar isso agora.” Nós mixamos isso na mesma noite. Foi uma noite longa.


8. Heartz Of Men

Produzida por DJ Quik


DJ Quik: Isso foi louco. Muitos dos meus créditos ficaram fodidos naquela época. Os negócios realmente ocorriam de modo negativo às vezes, e se você não entrasse no escritório de Roy Tesfay [assistente de Suge Knight] para exigir seus créditos, você ficaria fodido e sem eles. Na real eu fiquei fodido. Eu fiz muita coisa nesse álbum de ’Pac, e acrescentei muitas coisas e mixei [na qual não fui creditado]. Eu fiz muita coisa bem melhor do que eles fizeram quando entraram no estúdio e em pouco tempo... Em dois dias, remixei 12 músicas.

Mas em grande parte “Heartz Of Men” foi a única faixa do álbum que produzi sozinho. 2Pac estava preocupado. Ele estava aborrecido porque queria falar sobre alguma coisa. Meu trabalho como produtor é tornar isso confortável como se fosse uma cama musical, para que ele possa ficar mais satisfeito. E eu acho que nós conseguimos. Uma batida irritada para combinar com sua irritação.

’Pac era um artista consumado. Ele realmente pensava primeiro antes de escrever. Ele se tornava parte da música. O jeito que ele fazia parecia como se ele soubesse que a parada fosse durar para sempre. Ele foi demasiadamente meticuloso sobre o modo como ele escreveu certas faixas. Meu lance com essa faixa foi que, tão justo quanto 2Pac era  — ele é lendário —, eu ainda fui o produtor e precisava checar o que eu não estava gostando e como poderíamos fazer esta faixa soar perfeita, caso não pudéssemos torná-la. Eu tinha que ser severo com ele em algumas coisas, mas na maior parte, era como se ele fosse um fantasma. Em um momento, ele disse: “Você supostamente não deveria estar aqui.”

Nós nos desentendíamos de vez em quando. Ele disse: “Foda-se! Quik, por que você deve ser tão duro comigo com as vozes de fundo?” Eu respondi: “Se você fizer perfeitamente, elas serão sempre perfeitas. Mas se você apenas fizer desleixadamente, então serão sempre uma porcaria.”


9. Life Goes On

Produzida por Johnny J


Dru Down: Essa foi mais uma daquelas coisas sérias. Quando eles gravavam faixas sobre alguma coisa séria, não ficavam muitas pessoas no estúdio. Quando a coisa precisava realmente ser levada a sério, não repercutia muito ali. ’Pac apenas espalhou toda a maconha na mesa de mixagem e foi escrevendo. E geral precisava ficar quieto. Esta faixa era uma parada realmente calma, algo tranquilo. Foi um momento sério.

Johnny JNós tínhamos pessoas na sessão — que você poderia considerá-los manos da rua ou coração frio, acostumados a serem assim — e eles estavam caídos em lágrimas. Não acredito que vi isso. [Esta faixa] teve muita gente se emocionando.


10. Only God Can Judge Me

Participando: Rappin’ 4-Tay

Produzida por Dough Rasheed (Mad Castle Productionz), Harold Scrap Freddie


Dave Aron: Eu pensei que isso seria uma faixa assaz introspectiva. Bem honesta. Os beats [de Doug Rasheed] não eram tão complexos. Eles geralmente eram compostos por alguns loops e algumas percussões e uma batida de tambor sólida. Gravei os vocais de Rappin’ 4-Tay para isso. Ele é um cara divertido. Ele tem seu pequeno status de malandro nisso. Ele realmente se encaixa no estilo de Oakland.


11. Tradin War Stories

Participando: C.P.O., E.D.I., Kastro, Napoleon, Storm

Produzida por Rick Rock (Steady Mobbin’ Productions), Mike Mosley


Napoleon: Essa música foi muito pessoal para mim. Quando eu tinha três anos de idade, presenciei meus pais sendo assassinados na minha frente. Fui baleado no pé. Então nessa música eu tipo que enfatizei isso. Eu estava dizendo: “Irmãos querem falar sobre histórias de guerra. Eu vi a minha primeira história de guerra aos três anos de idade.” ’Pac já sabia o que havia acontecido com os meus pais, e de imediato ele ficou extasiado por eu ter citado isso na música. Ele sabia que era real. Quando ’Pac veio e me buscou no meu bairro, ele viu que eu estava passando por uma grande adversidade em uma idade precoce. Eu acho que essa foi uma das razões pelas quais ele me abraçou — não por sentir pena de mim —, mas ’Pac tinha um bom coração. Ele viu que este irmão perdeu seus pais e disse: “Eu me sinto na obrigação de te ajudar.”

Rick Rock: Eu não sei de onde tirei a porra desse sample. Foi Dionne Warwick ou algo assim. Quando eu acabei fazendo isso com ’Pac, eu disse que era “It’s A Man’s World”. E tudo isso ficou ótimo, mas eu não lembro de quem era. Eu sei que esse sample não foi tirado de James Brown. Eu tirei de qualquer outro lugar, mas parece “It’s A Man’s World”. Eu não consigo lembrar, porque eu costumava fazer batidas e não salvava os samples. Eu tinha toda a minha parada em um disco. E quando eu vim do Alabama para a Califórnia, eu costumava carregar uma bolsa cheia de discos.


12. California Love [RMX]

Participando: Dr. Dre, Roger Troutman

Produzida por Dr. Dre


Tommy D: Foda-se, eu posso dizer isso: Dre realmente não queria nada com essa faixa. Ele não gostou da chegada de ’Pac a Death Row, o que eu pensei que seria interessante, porque eu lembro que ele disse, “É isso. Eu me despeço da Death Row já que agora ’Pac está aqui.” Eu disse, “Que porra é essa?!” Quero dizer, se você olhar para o álbum, verá que ele não fez nada em All Eyez On Me, exceto para “California Love”, o que seria basicamente seu single para sua gravadora Aftermath, entende? E quando Suge ouviu Dre dizer isso e disse, “Foda-se!”, ele foi até a casa de Dre e praticamente o obrigou colocar 2Pac nesta faixa. Então basicamente ele perdeu seu primeiro single para a Aftermath, e acabou sendo o primeiro single para 2Pac. Porque a versão original disso é de três versos com Dre cantando. A única pessoa que tem essa versão original é o DJ Jam, o DJ do Snoop. Então basicamente Suge disse, “Foda-se, estamos colocando 2Pac nesta faixa.” Essa parada foi foda. Afinal, Suge não era nenhum manequim.


13. I Ain’t Mad At Cha

Participando: Danny Boy

Produzida por Daz Dillinger


Kurupt: Nós sabíamos quando isso foi feito. ’Pac ouviu o beat e virou-se. E basicamente disse: “Cara, é isso!” Nós nos sentamos e bebemos e então Daz estava apenas trabalhando no beat, e quando ’Pac estava lá trabalhando, não existia distrações. Era mais ou menos tipo, ‘Vamos botar isso na rua, vamos botar isso na rua, vamos botar isso na rua.’ Quero dizer, ele ficava com raiva dos produtores se fizessem uma batida muito devagar. Esse era seu lance. Ele disse: ‘Vamos, cara, que porra é essa? Isso não é muito difícil. Tudo o que você precisa fazer é pressionar a porra do botão para gravar. Pressione a porra do botão! Agora!’”


14. What’z Ya Phone #

Participando: Danny Boy

Produzida por Johnny J, 2Pac


Danny Boy: ’Pac era uma lenda que caminhava, e eu nem sei se ele sabia disso. Havia mulheres passando o tempo todo, como em qualquer estúdio. Você é um rapaz, não é casado, está vivendo essa vida. Você têm todas as coisas que a indústria oferece para você. Elas estão lá com a frequência que você gosta.

[O telefonema] era real. Qualquer coisa que você ouviu foi real. [’Pac recebia chamadas assim] o tempo todo. Isso foi a gente zoando no estúdio. Nós ativamos o viva-voz e botamos no microfone... [Não há crédito para a menina porque] ela provavelmente não queria que sua mãe a ouvisse falar assim. Ela era uma daquelas garotas do outro lado do caminho, você sabe. [Risos]

Dave Aron: Nesta música, a menina da recepção do estúdio veio e fez essa conversação com 2Pac por telefone. Na verdade, liguei o telefone — um pequeno viva-voz que eles tinham — e eles tiveram essa conversação entre eles. Isso foi bem díspar. Eles foram assaz criativos. Quando eles vieram com a ideia, eles gostaram de fazê-la e eu pude facilitar. Essa conversa telefônica foi definitivamente uma coisa ímpar. Eles apenas fizeram isso diretamente do topo. Era assim que ele gostava de fazer — coisas muito espontâneas.

Johnny J: Essa é provavelmente uma das faixas mais explícitas que já fiz. Definitivamente uma faixa suja. Sexual, sexual, sexual.



Disco 2



1. Can’t C Me

Produzida por Dr. Dre, com vocais de George Clinton adicionados


Eboni Foster: George Clinton é um banana. Isto foi mágico. Foi como uma química especial. Quero dizer, você sabe o quanto as grandes mentes pensam bem. E quando duas pessoas são assim, realmente mestres no que fazem... Eu basicamente sentei de volta e fiquei olhando. Isso foi — não consigo encontrar as palavras certas para descrever isso. Eu apenas continuo dizendo “mágico”. Foi incrível ver duas pessoas se juntando assim. Eles apenas colaboraram juntos e pensaram juntos. Eles ficaram chapados e não demorou muito para fazer a música. Quero dizer, um gênio musical como esse... Primeiro de tudo, George, ele é como um cara antigo, então ele vê 2Pac como seu filho.


2. Shorty Wanna Be A Thug

Produzida por Johnny J


Johnny J: Foi um pouco suave nesse dia, uma sessão descontraída. ’Pac começou a pensar sobre como essas crianças pensam. Ele disse: “Pequenos manos só querem ser um bandido.” Ele apenas colocou esse título, e acabou acontecendo. Isso deu a Napoleon a sensação de fazê-lo pensar que era sobre ele. Eu meio que olhei para ele da mesma maneira. Era como se estivesse falando sobre Napoleon. Ele viu seus pais assassinados na frente dele. Napoleon teve uma educação difícil. Ele estava passando por isso. Era como uma vibração terapêutica. Tupac pensou por um minuto.


3. Holla At Me

Participando: Jewell

Produzida por Bobby “Bobcat” Ervin


Dave Aron: Tenho ótimas lembranças por ter ficado acordado a noite toda com Bobcat. Ele tinha uma faixa que era meio rara. Antes de eu mixá-la, ele queria colocar algumas partes. Ele acabou colocando muitas partes, e ficamos acordados a noite toda e acabamos mixando até as três da manhã.


4. Wonda Why They Call U Bitch

Produzida por Johnny J, 2Pac


Carlos Warlick: ’Pac escreveu essa música com Faith Evans, e na verdade gravamos com Faith cantando todo o refrão. Faith escreveu esse refrão inteiro e todas as partes. Mas então, quando chegou a hora de colocar o álbum na rua, eles não conseguiram obter as autorizações — aquelas coisas da Bad Boy Records. Eles acabaram colocando Michel’le. Ela basicamente copiou todas as harmonias e tudo o que Faith tinha feito. Porque esta música era com Faith. Eles escreveram em uma noite no estúdio. Ambos surgiram com o conceito, e ’Pac então escreveu seus vocais, e Faith basicamente criou toda a harmonia e todas as partes de fundo. Então isso basicamente não foi sobre Faith.

Dave Aron: Trata-se de Faith Evans. [2Pac] estava definitivamente em tudo, a rivalidade de Biggie com Faith. Ele ficaria muito bem.

Johnny J: Passamos por algumas pessoas para acertar no refrão. Faith Evans, eu a tive na primeira. Estava passando por um pequeno desentendimento na época, você sabe, a desavença entre Death Row e Bad Boy estava acesa. Ela estava lá comigo, com ’Pac e minha esposa — todos no estúdio. Ao vê-la, fiquei em choque. Eu estava tipo, “Espere um minuto, essa é a esposa de Biggie, cara.” Eu estava bebendo uma Budweiser com ela e [ela] disse: “Esquece, cara”, e logo parei de pensar nisso. Eu gravei a faixa “Wonda Why They Call U Bitch”, [e] Faith entrou lá — eu não vou mentir —, ela esbanjava magnitude ao gravar. Mas por causa das desavenças, tive que tirá-la. Suge disse, “J, você sabe, precisamos tirar Faith.”

Rick Clifford: ’Pac vinha andando, e estava com um grande sorriso no rosto. Essa garota veio caminhando logo atrás dele. Ela parecia ter tido uma noite agitada. Mais uma vez, estavam todos no meu ouvido. “Faith...?” E eu pensei, “Hum, então foi assim que começou toda essa merda. Isso não me atinge. Eu era um pouco simplório em tudo.


5. When We Ride

Participando: Outlawz

Produzida por DJ Pooh



Big Syke: Quando ele deu nomes a todos, estávamos em Clinton, na penitenciária. Fomos visitá-lo, e foi lá que ele resolveu dar nomes a todo mundo. Quando ele se chamou Makaveli, logo nomeou E.D.I., Kastro, Napoleon, Hussein Fatal, Yaki Kadafi, Mopreme...

DJ Pooh: Nós estávamos no Can-Am Studios trabalhando em um monte de materiais. Era eu, Soopafly, Daz, todos os produtores — estávamos apenas sentados lá trabalhando em algumas faixas. 2Pac, Dre e Snoop — todos os artistas estavam passando no estúdio verificando as faixas e gravando músicas. Era como uma máquina de trabalho. Foi um dos melhores cenários que qualquer companhia de gravação gostaria de ver. Todas essas pessoas poderosas no estúdio trabalhando juntas. E 2Pac também trouxe seu grupo. Os rapazes sempre querem abrir a porta para os que estão por trás dela. Ele estava abrindo a porta para os manos da Thug Life. Eu tinha uma faixa que ’Pac flagrou e disse: “Uau, que porra é essa?!” Eu estava trabalhando junto com ele. Ele disse: “Isso é nós! Nós estamos fazendo isso! Nós estamos indo na outra sala. Quando acabarmos por lá, ficaremos por aqui esta noite.” Eu disse: “Tudo bem”. Mais tarde, acho que no início da manhã, três ou quatro da manhã, ele entrou no estúdio e disse: “Coloque essa faixa de volta!” Eu coloquei a faixa de volta, e ele instantaneamente disse: “É isso que vamos fazer com o grupo — vamos trabalhar nessa faixa”, e trabalhamos na “When We Ride”. Ele surgiu com o refrão ali mesmo e já foi gravar. Ele tinha todos os rapazes entrando um por um e logo finalizaram. Foi incrível, cara. A música foi feita em poucas horas. Em uma noite, todos sentiram que só queriam vê-la pronta. Vários sabores e estilos díspares — foi uma oportunidade incrível.

E.D.I.: Essa é a única faixa que tem todos os sete membros — todos os nove de nós, na real —, uma parada tipo Wu-Tang Clan. Essa era apenas a nossa versão do que Wu-Tang estava fazendo na época.

’Pac estava fora da prisão e em alguma parada “rider”. Essa foi realmente uma palavra que [ele usou] quando saiu da prisão. Suge e o resto do pessoal começaram a dizer muito isso — todos os manos do bairro de Suge. ’Pac apenas adotou isso.

Kastro: Nós tínhamos basicamente o conceito; nós estávamos apresentando nossos apelidos coisas do tipo.

Napoleon: Eu estava ouvindo uma música rep no outro dia, e parecia que a música toda estava a me dizer “ride or die” (corra ou morra) e falar alguma coisa sobre um “rider” nisso. Metade das pessoas não sabem o que isso significa, elas nem sabem de onde veio o conceito. Foi algo que 2Pac tirou dos Panteras Negras. Era uma coisa do tempo dos Panteras Negras, onde costumavam dizer “ride or die”. Se você tem essa arma em punho e você é agarrado pela polícia, você tem que agir ou morrer, você realmente deve usá-la. Então, ’Pac achou isso interessante e colocou isso no hip-hop. Muitas pessoas correm por aí dizendo que são riders, mas nem sabem do que se trata. É apenas uma moda em que eles aderiram.


6. Thug Passion

Participando: Jewell, Storm, Outlawz

Produzida por Johnny J, 2Pac


Johnny J: Digamos que esta faixa foi patrocinada por Hennessy. Eu vou lhe dizer por que eu digo isso. A Hennessy sempre estava ao redor, o conhaque — você conhece a bebida. Mas quando ’Pac fez isso, foi hilário — ouça o quanto ele estava bêbado no início dessa música. Isso foi engraçado, uma música engraçada, mas funcionou. Era uma bebida com a qual ele iria se acabar. Ele estava misturando Cristal e Alizé. Estávamos prestes a criar todos os tipos de bebidas misturadas. Nós nunca fizemos isso, apenas fazíamos temas para as músicas. Não consigo imaginar o quanto de Hennessy estava por atrás desse mano  dizendo isso em suas músicas.

E.D.I.: Nós estávamos ouvindo a música e realmente não conseguimos senti-la, porque o beat foi um verdadeiro tipo de uma merda agitada que Johnny J fez. ’Pac veio no estúdio e disse: “Que porra há de errado com vocês? Todos vocês não gostaram dessa parada? Bem, veja o que eu faço com essa filho da puta!” Nós estávamos sentados no estúdio o dia todo, só a gente, ele ficava para lá e para cá com todas essas garotas, com toda a diversão. Ele tinha Jewell, a cantora da Death Row que cantava em todas aquelas grandes músicas da gravadora, e ele e ela simplesmente foram para um canto para encontrar esse refrão. Ela ficou no refrão, e de repente nós reagimos tipo, “Porra, essa música está tendo uma ótima qualidade de som.”


7. Picture Me Rollin’

Participando: Danny Boy, Big Syke, CPO

Produzida por Johnny J


Johnny J: Minha esposa deu o título, ’Pac já tinha um bom tema, falou sobre tudo o que ele fez no registro. Ele estava andando para lá e para cá no estúdio, agoniado, dizendo: “Mano, eu não tenho um nome para essa música. Que merda!” Então ele disse: “J, sua esposa me deu o título. Gostei.”

Danny Boy: Quando ele estava preso, não tinha muita gente do lado dele. ’Pac conhecia muitas celebridades, um monte de estrelas, tinha muitas conexões, mas nenhuma dessas pessoas queriam e tiraram-no da prisão. Isso é apenas eu especulando, mas todas aquelas pessoas que estavam ao redor ele, nenhuma delas fez o que Suge fez. Aqueles que não podiam, eu acho que elas tinham suas razões, mas para aqueles que não se conectaram com ele enquanto estava preso, ou não se conectaram porque pensavam que possivelmente ele era o culpado de tudo ou tanto faz — ele estava chegando para atacar com “Picture Me Rollin’”.


8. Check Out Time

Participando: Kurupt, Big Syke

Produzida por Johnny J, 2Pac


Johnny J: Foi baseado em como todos nós fomos para Las Vegas. Nós fomos lá e passamos um bom momento no Club 662, onde ’Pac mostrava que ele foi solto por fiança e All Eyez On Me estava saindo. Foi uma grande festa na estrada, cara. Todos nós estávamos de carro. Eu, ’Pac, toda a família musical da Death Row.

Kurupt: É uma história verdadeira. Estávamos em Las Vegas, e era hora de ir embora, e ninguém conseguia encontrar Daz. Esse filho da puta havia desaparecido. E todo mundo dizia: “Cara, cadê a porra do Daz? Vamos embora daqui, é hora de voltarmos para Los Angeles para finalizar o álbum.” ’Pac estava dizendo: “Aonde Daz se enfiou?” E eu disse: “Eu não sei onde esse mano está”. Então eu estava olhando para ver se o encontrava, e o encontrei, e disse: “Vamos, mano, vamos embora.” 2Pac estava gritando com os Outlawz, Syke e o resto do pessoal: “Vamos embora daqui, precisamos ir.” E voltamos para o Can-Am Studios. Eu acho que foi dois dias depois que voltamos de Las Vegas... Nós tínhamos um beat, e o beat era um estouro, e ele disse: “Vamos contar uma história sobre estar em Vegas, cara, como estávamos procurando por todos, dizendo ‘Vamos, vamos dar o fora daqui!’ E todo mundo apenas sem rumo e enrolados com uma vadia.”


9. Ratha Be Ya Nigga

Participando: Richie Rich

Produzida por Doug Rasheed


Richie Rich: 2Pac me ligou e me disse para trazer alguns manos da Bay Area para participar do álbum. Muitas pessoas da Bay. Todos estavam neste grande estúdio. Tupac veio em mim dizendo: “Eu quero fazer uma música sobre vadias.” Ele [2Pac] terminou seu verso em seis minutos. Ele veio até mim, e eu ainda estava escrevendo. Ele gravou seu primeiro verso e então escreveu seu segundo. Quando eu gravei o meu verso, ele disse: “É por isso que eu acho foda trabalhar com você. Você sabe exatamente o que eu estou falando.”


10. All Eyez On Me

Participando: Big Syke

Produzida por Johnny J


Big Syke: ’Pac estava me dizendo: “Se você não tiver a letra finalizada até eu acabar de escrever este primeiro verso, sua bunda vai ficar fora da música.” Foi um teste quando ele pegou a caneta. Foi tipo: “Nigga, essa é a sua chance. Prepare-se e vá! E é melhor você ter uma merda impactante.”

Johnny JEssa foi a primeira faixa que dropei quando nos reunimos na Death Row. Quando ele apenas saiu da prisão e ficou livre, dois dias depois ele disse: “J, cola no estúdio, estou com a Death Row agora.” Pensei que era uma piada, alguém contando uma piada sobre 2Pac. Eu pensei: “Ah não pode ser — mas ’Pac está preso!” Ele disse: “J, estou livre” Eu fui ao estúdio, 15 minutos na sessão, e o primeiro beat que botei para reproduzir foi “All Eyez On Me”. Eu não ia mostrar essa faixa, honestamente. Eu disse: “Esta faixa? Nah, ela está inacabada. Está incompleta.” Minha esposa disse: “Ei, esse beat é foda!” Então eu apenas trabalhei nela. O título saiu da cabeça dele.


11. Run Tha Streetz

Participando: Michel’le, Storm, Mutah

Produzida por Johnny J, 2Pac


Dave Aron: Foi ótimo trabalhar nesse álbum. Foram várias pessoas. Quem não cresceu ouvindo aquela música “No More Lies”? E então você trabalha com Michel’le e você ouve sua pequena voz, e isso é verdade. A pequena voz brilha nos ouvidos, e então ela canta, e isso é tão magnífico, e ela é como uma garotinha. E ela é tão doce.


12. Ain’t Hard 2 Find

Participando: E-40, D-Shot, B-Legit, C-Bo, Richie Rich

Produzida por Mike Mosley, Rick Rock


Rick Rock: Isso foi só mais uma música da Bay Area. Ele queria uma música que soasse algo da Bay Area. [E-40 e The Click] estavam vibrando no estúdio. Ele estava realmente olhando por esses caras para realizar isso. ’Pac só queria realmente vibrar com eles, e encontrar uma boa música com o norte da Califórnia. Porque quando ele foi solto da penitenciária, ele estava em Los Angeles, fazendo algo sobre Los Angeles. Ele tinha aquele som da Death Row e ele queria que o som da Bay Area fosse enfatizado. Eles estavam lá, vibrando, fumando uma grande quantidade de maconha e bebendo. Bebendo 40 Oz e relaxando no chão. Foi assim que 2Pac escreveu seus versos, deitado no chão.

Mike Mosley: 2Pac disse, “Vá em frente, Mike, nos dê um daqueles beats da Bay Area.” Ele tinha certeza de que todos os grandes da Bay estavam nessa, então nós podíamos cintilar. O conceito era basicamente que toda a Costa Oeste fosse única. Finalmente tivemos uma voz. 2Pac estava explodindo, a Bay Area estava vendendo independentemente. Ainda havia uma rivalidade Costa Leste/Costa Oeste. Nós estávamos basicamente ligando para a toda a Costa Leste, “Biggie, não é difícil nos encontrar, estamos aqui na Costa Oeste, vem aqui.”

D-Shot: 2Pac veio até mim, e me perguntou, “Shot, o que você quer fazer, cara? Apenas me diga o que você quer fazer.” E eu disse, “Primeiramente, eu acho que devemos deixar Mike Mosley e Rick Rock fazer a faixa.” Então Mike e Rick chegaram lá, e 2Pac veio até mim novamente. Ele disse, Shot, tudo bem agora — qual vai ser o assunto? Qual vai ser o nome da música?” Por alguma razão, eu não sei por que, mas ele ficou me perguntando isso constantemente. Nós todos estávamos sentados lá — 40, B-Legit, todo mundo — e eu acho que C-Bo também estava por lá. Eu acho que todo mundo da Bay Area estava lá. Richie Rich também. Mas 2Pac continuo vindo em mim, e perguntou, “Qual vai ser o nome da faixa? Então eu disse a ele, “We ain’t hard to find.” Ele disse, “Esse vai ser o nome da faixa.” Então todo mundo começou a escrever... Eu estava lá com a caneta no papel, e perguntei a ele, “Você tem certeza que me quer nessa faixa? Qual é, cara, você está fazendo todo seu lance, está em toda outra página, certo? Em outro nível. Um artista multi-platinado querendo eu, e D-Shot da Bay nisso?” Ele disse, “Cara, faça logo essa porra e cala a boca.” Então eu comecei a escrever minha parte, e antes de eu realmente pegar na caneta ele já tinha todo seu verso pronto! Eu e 40 estávamos olhando um para o outro boquiabertos, como, Caralho! Não há ninguém nesse planeta que eu conheço que escreve um verso em cinco minutos. Ele tinha feito dois versos. Ele não era nenhuma piada com a escrita. Com certeza, como se ele fosse um grande banco de informações, e tudo o que ele tinha que fazer era pegar um assunto e colocar a caneta para ele, e ele tinha isso. Ele tinha pelo menos uma meia porção de maconha na mão enquanto caminhava pelo estúdio, fumando sua maconha. E ainda estou tentando descobrir, como um homem pode estar fumando maconha e ainda pensar o que ele pensou e escrever tão rápido como escreveu?

B-Legit: 2Pac era realmente inteligente e curioso. Ele tinha um fetiche pelos niggas da rua. Ele procurava se envolver com esses niggas da rua. Em outras palavras, esses caras que estavam no seu grupo eram traficantes de drogas conhecidos. Ele tinha um fetiche por esses niggas da rua. Os caras que estavam administrando ’Pac na época eram traficantes de drogas, e esses eram os caras que o apoiavam. Isso é o que ele cresceu, e quando ele começou a subir fazendo seus lances, esses eram os caras que ele levava com ele.

E-40: Essa é a história que eu conto a todo mundo. Eu estava deitado no chão, porque quando eu escrevo — eu, B-Legit e todos nós —, quando escrevemos, nos deitamos no chão e escrevemos com as mãos sobre os estômagos. Isso é como um ritual. É exatamente o que fazemos. Nós fazemos isso desde quando começamos nesse lance de rep. Então nós pegamos nossa bebida, e nos deitamos no chão... Todo mundo, geral deitado lá. ’Pac... Quando me deitei no chão, eu tinha duas pistolas. E eu coloquei-as no chão... Não era para ele, era porque estávamos olhando para um outro lado da cidade na época. Tínhamos uma rixa com o outro lado da cidade. E então eu coloquei minhas pistolas no chão. Ele olhou para mim, ele colocou suas duas pistolas no chão e começou a escrever comigo. E ele se deitou no chão, bem do meu lado. Bem perto de mim. Todos nós lá. Ele foi e falou, “Nigga, estou preparado tanto quanto você.” Foi uma parada real.

Richie Rich: E-40, D-Shot, B-Legit — nós todos estávamos lá naquele dia. Havia aquela garota de pele clara que estava muito animada. Eu pensei que ela estava com ’Pac por causa da maneira como eles interagiam, mas ela era a esposa de Johnny J. Johnny J produziu muitas músicas de ’Pac que tocou no rádio.

Para mim, a parte mais memorável foi ver todos os niggas que estavam lá. Para ver Suge entrar e interagir com ’Pac. A maneira como o estúdio estava funcionando. Quik estava em um quarto fazendo beats para ’Pac. Era como se todos estivessem lá trabalhando. 2Pac tinha tudo na ponta dos dedos, se ele não gostasse de uma batida, alguém ia lá e traria outra. O lance estava ligado e organizado.


13. Heaven Ain’t Hard 2 Find

Vozes de fundo por Danny Boy

Produzida por QD3


Danny Boy: Você pode ouvir ’Pac falando besteira. Mas acho que, como artista, ele estava realmente sentindo onde ele estava na época, e quanto ele estava curtindo a vida e as pessoas que ele tinha por perto e fazendo o que ele precisava fazer. Ele estava fazendo isso. Ele estava vivendo como ele sempre quis. Ele estava vendo coisas que ele nunca tinha visto. Suge estava mimando-o. Ele estava feliz com a situação. Ele gostava de Suge. Ele e Suge se divertiram como amigos. ’Pac era como um irmãozinho para ele, e eu acho que ele realmente apreciava o que Suge tinha feito para ele e como estendeu a mão para ele.

QD3: A primeira vez que realmente nos conectamos foi através da minha irmã Kidada. Minha irmã estava noiva de 
’Pac na época. Ele havia mantido isso em segredo, então ninguém realmente sabia. O lance sobre 2Pac foi que ele tinha feito alguns comentários sobre nossa família no passado, e ele estava andando em torno de Los Angeles com vários grupos de pessoas. Então cada pessoa tinha uma história diferente. Alguns caras estavam dizendo que ele era imprudente, e outras pessoas diziam que ele estava louco. Eu estava meio que concluído sobre isso... Então pensei: “Deixe-me conhecê-lo e verei como ele é.” E ele era foda. Assim que entrei no estúdio, eu senti como se eu o conhecesse há muito tempo. Criativamente, clicamos no primeiro segundo. Ele disse: “Aqui estão Alizé e Hennessy, aqui está alguma maconha... o que você quer?” Ele era um cara quente e engraçado.

Mas algumas coisas sinistras aconteceram no estúdio. [Risos] A primeira vez que fizemos a sessão, eu estava atrasado porque estava chovendo. Eu estava tentando aparecer a tempo e estar lá. Eu já tinha ouvido sobre ele e como ele tratava os produtores. Se você não tivesse um beat pronto em cinco minutos, você estaria fora de lá. Eu levei minha multitrack para o estúdio, e elas foram gravadas no ADAT [Alesis Digital Audio Tape]. Então o engenheiro deveria alugar o ADAT para que estivéssemos prontos para começar, mas ele havia esquecido. ’Pac disse: “Tudo bem, aqui está QD. Onde está o ADAT?” O engenheiro começou a caminhar até a porta, pronto para passar por ela. Então a primeira coisa que eu vi foi ’Pac falando umas coisas para o engenheiro. Nada tão sério, mas o suficiente para humilhá-lo. Isso foi uma loucura. Mas, assim que entrei na sala, eu sabia que era um lance histórico. O tempo estava parado.





Manancial: XXL Magazine

1 comentário:

  1. Que matéria absurdaaaaaa!
    Meu Deus todos que se prezam por sua sanidade mental/Cultural deveria ler isso, é como se pudéssemos vvoltar aos anos 90

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