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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

O que será que Filipe Ret quis dizer com ‘O Diabo é o pai do rep’?


Primeira elucubração


Rep nunca foi união! Quem disse que a união nesse gênero musical sempre prevaleceu estava completamente equivocado, subjetivamente argumentando. Pois, de acordo com as minhas elucubrações, a enfatização do mau sempre fez parte da humanidade. O ser humano, por mais simplório que seja, ao nascer e se tornar criança, desenvolve seu lado pernicioso quando vai crescendo. E assim sucessivamente. Ser humano não é fácil.

O rep é um gênero musical assaz opulento, repleto de espécimes. A divergência que nele habita, ouso dizer que não existe em nenhum outro sequer, pois dele é demasiadamente fácil atacar quem não lhe agradou com tal verso, como nunca vi em outro [gênero musical]. A insatisfação vai sempre arraigar no próprio, porque não é de ontem que isso existe.

O rep é a discórdia. Não tem óbice que tire a grandeza dele. Tudo que é feito nele e pô-lo, de alguma forma terá sua cobrança. Através dele, os representantes da cultura são comparados à Lúcifer, que foi expulso do reino de Deus por não concordar com o que lhe foi imposto.

O público está quase sempre insatisfeito. A facilidade que as pessoas têm de enfatizar tudo aquilo que é negativo é incomensurável. É inviável, para os parvos, enfatizar somente o lado bom e enxergar o rep como arte, e não criando conceitos sórdidos. Se o público realmente fosse amante dele, não haveria tanto desentendimento (muitas vezes, desnecessário). Ademais, muitos têm suas causas edificadas através do público que, na internet, quando não são os juízes, inventam calúnias para prejudicar tal artista. É extremamente mais instigante jogar lenha na fogueira do que tentar apagá-la ou relegá-la e permitir que se apague sozinha.


Segunda elucubração


O Diabo inventou o rep para haver revanche”. Milhares de ouvidos já sentiram (ou não) o poder dessa máxima, reproduzida na última faixa do disco Vivaz [“Devaneios Retianos”, de 2012].

De acordo com a minha subjetividade, a revanche vem em cada música, pois através dela o(a) artista se promove como acha melhor, na intenção de ser melhor. Mesmo que muitos discordem, vejo a revanche como um querendo ser melhor que o outro, mas cada mente agindo da sua maneira.

O Diabo prova que o homem é imperfeito — e isso já é uma causa para buscar o conhecimento. Logo, torna enfático que é o caminho para o conhecimento, porque, quem não estuda, não evolui. Quem não passa por adversidades, desconhece o valor do suor. Quem não se questiona, não vive. Quem se define, morre. Se não houver reflexão sobre a existência, corre-se o risco de tornar-se um ser humano frustrado e pernicioso com o próprio interior, porque é na experiência que encontra-se o êxito. É na dor renitente que está a reflexão sobre o acontecido. O conhecimento é subsequente. Ter experiência nem sempre significa sapiência. A riqueza espiritual pode ser alcançada, se abicorar corretamente. O rep proporciona reflexões ímpares, enquanto os outros gêneros musicais, respeitosamente constatando a minha opinião, não tem o mesmo poder de eloquência.

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