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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Biografia: Crips, a gangue versátil


Os Crips são, originalmente, uma gangue afro-americana fundada nas regiões costeiras do sul da Califórnia. Eles foram fundados em 1969 em Los Angeles, Califórnia, principalmente por Raymond Washington e Stanley Williams. O que antes era uma aliança única entre duas quadrilhas autônomas é agora uma rede de “sets” (conjuntos) individuais, ligeiramente conectada, muitas vezes envolvida em guerra aberta entre si. Seus membros tradicionalmente usam roupas azuis, uma prática que diminuiu ligeiramente devido às repressões policiais aos membros de gangues. Historicamente, os membros têm sido principalmente da herança afro-americana.

Os Crips são uma das maiores e mais violentas associações de gangues de rua dos Estados Unidos. Com cerca de 30.000 a 35.000 membros de acordo com uma pesquisa feita em 2008, eles são envolvidos em assassinatos, roubos, tráfico de drogas, entre outros crimes.

Eles têm uma longa e amarga rivalidade com os Bloods.


História


Stanley “Tookie” Williams conheceu Raymond Lee Washington em 1969, e os dois decidiram unir seus membros de gangue locais dos lados oeste e leste do sul de Los Angeles para dominar ruas vizinhas. A maioria dos membros tinham apenas 17 anos. A atividade do grupo em South Central Los Angeles tem suas raízes em uma variedade de fatores que remontam os anos 50 e 60, incluindo o declínio econômico pós-Segunda Guerra Mundial que conduz ao desemprego e à pobreza, a segregação racial levando à formação de “gangues de rua” por jovens homens afro-americanos que foram excluídos de organizações como Boy Scout e a diminuição das organizações nacionalistas negras, como o Black Panther Party e o Black Power Movement.

Em 1978, haviam 45 gangues Crips por toda Los Angeles. Eles estavam fortemente envolvidos na produção de PCP (Heroína), maconha e anfetaminas. Em 11 de Março de 1979, Stanley (Westside Crips) foi preso por quatro assassinatos, e em 8 de Agosto de 1979, Raymond Washington foi morto. Washington estava contra as lutas internas dos Crips, e depois de sua morte vários conjuntos de Crips começaram a lutar uns contra os outros. A liderança dos Crips foi desmantelada, provocando uma guerra mortal entre os Rollin’ 60 Neighborhood Crips e Eight Tray Gangster Crips, que começaram a formar outros conjuntos pelas redondezas próximas para escolher os lados e alinhar-se com os Gangster Crips ou Neighborhood Crips, assim travando uma guerra em South Central e outras cidades. Os Crips da Costa Leste e os Crips da Hoover cortaram diretamente sua aliança após a morte de Washington.

Em 1980, os Crips estavam em conflito, guerreando com os Bloods e até uns contra os outros. O crescimento e o poder da gangue realmente decolaram no início da década de 1980, quando a cocaína em pedra chegou às ruas. No início dos anos 80, os Crips começaram a vender cocaína em pedra em Los Angeles. Os enormes lucros do tráfico da cocaína em pedra induziram muitos Crips a estabelecerem novos mercados em outras cidades e estados. Como resultado, a adesão ao Crip cresceu de forma constante, e no final da década de 1980 era uma das maiores gangues de rua do país. Em 1999, haviam pelo menos 600 conjuntos Crips com mais de 30.000 membros transportando drogas por todo os Estados Unidos.

Pichação dos Crips em Olimpia, Washington

Etimologia

Algumas fontes dizem que o nome real era “Cribs”, escolhido por unanimidade entre mais dois nomes como Black Overlords e Assassins. Cribs foi escolhido para refletir a idade jovem da maioria dos membros da gangue. O nome “Cribs” evoluiu para “Crips”, quando membros de gangues começaram a usar bengalas para exibir seu status de “cafetões”. As pessoas do bairro começaram a chamá-los de cripples, ou “Crips” para abreviar. Um artigo sugere que “Crips” pode ter evoluído de “Cripplers”, que era uma gangue de rua em Watts nos anos 1970, da qual Raymond Washington fizeram parte. O nome não tinha nenhum significado político, organizacional, crítico ou acrônimo, embora alguns sugerem que o significado seja “Common Revolution In Progres’s”, sendo assim um acrônimo. De acordo com o filme Bastards of the Party dirigido por um membro dos Bloods, o nome representava “Community Revolutionary Interparty Service” ou “Community Reform Interparty Service”. Williams, em suas memórias, refutou ainda mais as afirmações de que o grupo era um subproduto do Black Panther Party ou formado para uma agenda comunitária, o nome “representava uma aliança de combate contra gangues de rua — nada mais, nada menos”. Washington, que frequentou a Fremont High School, foi o líder do East Side Crips, e Williams, que frequentou a Washington High School, liderava o West Side Crips.

Williams lembrou que uma bandana azul foi usada pela primeira vez pelo membro fundador dos Crips, como uma parte de sua roupa colorida da Levi’s azul, uma camisa azul e suspensórios azul escuro. Uma bandana azul foi usada em homenagem a Buddha (um membro da gangue) depois de ser baleado e morto em 23 de Fevereiro de 1973, e eventualmente o azul se tornou a cor dos Crips.

Um dos sinais que os Crips fazem

Cadeia de comando

Inicialmente, os líderes dos Crips não ocuparam posições de liderança, mas foram reconhecidos como líderes devido ao seu carisma e influência pessoal. Esses líderes deram prioridade à expansão da participação da gangue para aumentar seu poder. A gangue tornou-se cada vez mais violenta enquanto tentavam expandir seu território.


Associação


Os Crips têm mais de 800 conjuntos com 30.000 a 35.000 membros e outros associados, incluindo mais de 13.000 membros só em Los Angeles. Os estados com o maior número estimado de “conjuntos de Crips” são a Califórnia, Flórida e Illinois. Os membros geralmente consistem em homens jovens afro-americanos, com alguns membros brancos, hispânicos, asiáticos e insulares do Pacífico.

Em 1992, o L.A.P.D. estimou que existia 15.742 Crips em 108 conjuntos, outras fontes estimaram que tinham de 30.000 a 35.000 em 600 conjuntos na Califórnia.

Muitos Crips serviram nas forças armadas dos Estados Unidos e em bases nos Estados Unidos e no exterior.


Rivalidade entre os próprios Crips


Os Crips tornaram-se populares em todo o sul de Los Angeles de acordo com mais gangues juvenis que se juntaram; até então, eles superaram em número as outras gangues que não eram Crips por 3 a 1, provocando disputas, incluindo L.A. Brims, Athens Park Boys, os Bishops, The Drill Company e Denver Lanes. Em 1971, a notoriedade dos Crips se espalhou por Los Angeles.

Em 1971, a gangue na Piru Street em Compton, California, conhecida como Piru Street Boys foi formada e se associou com os Crips como um conjunto. Depois de dois anos de paz, uma disputa começou entre os próprios. Mais tarde, tornou-se violenta à medida em que a guerra entre gangues se seguia entre ex-aliados. Esta batalha continuou, e em 1973, o Piru Street Boys queria acabar com a violência. Logo, organizaram uma reunião com as outras gangues que eram rivais dos Crips. Após uma longa discussão, os Pirus quebraram todas as conexões com os Crips e iniciaram uma organização que hoje são os Bloods.

Desde então, conflitos e mais conflitos foram iniciados entre muitos dos conjuntos restantes dos Crips. É um equívoco popular que Crips estabelece desentendimentos apenas com Bloods. Na realidade, eles lutam uns contra os outros — por exemplo, os Crips de Rollin 60s Neighborhood e 83 Gangster Crips foram rivais desde 1979. Em Watts, Los Angeles, os Grape Streets Crips do PJ Watts Crips rivalizaram tanto que os PJ Watts Crips se juntaram com um conjunto dos Bloods local, os Bounty Hunter Bloods, para lutar contra os Crips da Grape Street Crips.

Em meados da década de 1990, as rivalidades e as guerras de Hoover Crips com outras gangues Crip fizeram com que elas se tornassem independentes, e absteram-se de usar o nome Crip, passando a ser Hoover Criminals em vez de Hoover Crips.


Alianças e rivalidades


 Rivalidade com os Bloods

O principal rival dos Crips são os Bloods. A rivalidade remonta a década de 1960, quando Raymond Washington e vários outros Crips confrontaram Sylvester Scott e Benson Owens, estudantes do Centennial High School. Em resposta ao ataque, Scott, que morava em Compton, estabeleceu a gangue Piru, a primeira gangue dos “Bloods”. Owens estabeleceu a West Piru. Os Bloods foram inicialmente formados para fornecer proteção aos membros dos Crips.

No final de 1972, várias gangues que se sentiram vitimadas pelos Crips devido aos seus ataques crescentes se juntaram aos Piru Street Boys para criar uma nova federação de gangues não-Crip que mais tarde se tornariam os Bloods.

Entre 1972 e 1979, a rivalidade entre Bloods e Crips cresceu, representando a maioria dos assassinatos relacionados a gangues no sul de Los Angeles. Membros dos Bloods e Crips ocasionalmente lutavam uns contra os outros e eram responsáveis ​​por uma parcela significativa de assassinatos relacionados a gangues em Los Angeles.


Aliança com a Folk Nation

No final da década de 1980 e início da década de 1990, alguns membros Crip estavam sendo enviados para várias prisões em todo o país, e assim foi formada uma aliança com a Folk Nation nas prisões do Centro-Oeste e do Sul dos Estados Unidos. Esta aliança foi estabelecida como meio de proteger membros de gangues encarcerados em sistemas estaduais e federais e prisões. Esta aliança é forte dentro das prisões, no entanto, é menos eficaz fora delas. A aliança entre Folks e Crips é conhecida como 8-ball. Pois, uma bola 8 quebrada indicaria uma “rixa” ou desacordo entre os Folks e Crips.

Pichação “BK” (Blood Killer), em Alexandria, Virginia

Práticas


Algumas práticas dos Crips geralmente incluem pichações e substituições e remoções de letras particulares do alfabeto. A letra “b” na palavra “blood” é um ato desrespeitoso entre certos conjuntos e escrita com uma cruz dentro dela por causa da sua associação com o inimigo. As letras “CK”, que significa “Crip killer”, são evitadas e substituídas por um duplo “cc”, e a letra “b” é substituída. As palavras “kick back” são escritas como “kicc bacc”. Muitas outras letras também são alteradas devido as associações simbólicas. Crips tradicionalmente se referem como “Cuzz”, que por vezes é usado como apelido para Crip. “Crab” é o epíteto mais desrespeitoso para chamar um Crip, e pode resultar em morte.

Durante a década de 1970 e 1980, às vezes, os Crips falavam em Swahili para manter a privacidade sobre guardas e gangues rivais.


Crips no rep

Em 9 de Março de 1993, eles se juntaram aos rivais Bloods para uma junção em forma de rep. Deixando a rivalidade de lado, gravaram dois álbuns juntos. O álbum intitulado Bangin’ On Wax, pela Dangerous Records. Dele saíram os singles “Piru Love”, “Bangin’ On Wax”, “Steady Dippin’” e “Crip, Crip, Crip”. O álbum repercutiu muito, e vendeu mais de 500 mil cópias, ganhando certificado de Ouro, indo fazer uma visitinha na posição #86 da Billboard 200.

Um ano depois, em 13 de Setembro, foi a vez do segundo e último álbum, intitulado Bangin’ On Wax 2... The Saga Continues, mas não foi tão enfatizado assim quanto o primeiro. Dele saíram dois videoclipes, “Wish You Were Here” e “G’s & Locs”.



Manancial: RiDuLe Killah; Wikipedia

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