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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Biografia: La Lunna, uma repper de arrepiar


Lunna Santos (conhecida artisticamente como La Lunna) é uma repper de Vitória da Conquista, Interior da Bahia.



Seu primeiro contato com o Rep

No primeiro ano do ensino médio, quando tinha 15 anos, após ouvir pela primeira vez, através do celular de uma colega de sala, a música “Favela Sinistra” do Trilha Sonora do Gueto. Ela disse:

Fiquei simplesmente impressionada com a mensagem da música, com o sentimento que havia nela, com tudo. Depois fui me interessando cada vez mais pelo gênero. Conheci ‘Vida Loka (Pt. 1)’ e ‘Vida Loka (Pt. 2)’ e posso dizer que foram as musicas que mais marcaram meu ensino médio. Eu decorei facilmente, de tanto que ouvia. Na mesma semana conheci a música ‘Eu Não Pedi Pra Nascer’ do Facção Central; depois ‘P.I.M.P’ do 50 Cent e achei aquilo magnífico; mas minha conexão mesmo era com as letras de protesto. Eu ouvia, ouvia, e ficava me perguntando se era real ou se era inventado, algo do tipo. Só sei que aquilo me deixava meio que ansiosa por algo. Acho que cada vez que eu me aproximava mais do rep minha vontade de gritar também crescia um pouco, mesmo imperceptivelmente em mim, parecia que aos poucos meus gatilhos iam sendo puxados e minha necessidade de gritar minhas dores iam crescendo. Eu seguia ouvindo rep de protesto... acho que por isso tenho algumas referências e letras com mensagens mais fortes.

Parece que o rep a escolheu, e não o oposto. Quando ela tinha aproximadamente uns 10 anos, via entre uma coleção de CDs, um dos Racionais MCs, mas não sabia do que se tratava. Sua cisma com aquele CD, mesmo sem saber o que era, o tirava da estante, olhava o fundo, a capa, o nome das músicas... Mas nunca reproduziu. A única coisa que ela sabia era que o CD era de seu primo, mas ela sempre costumava ficar olhando para ele como se fosse a vida querendo lhe dar algum sinal, e depois de anos ela pôde compreender tudo.

Acredito em destino, acredito na energia das coisas e acredito que tudo nessa vida tem um propósito e acontece na hora certa. Lembro como se fosse ontem.

Influências

Lunna ouvia muito Racionais MCs, Realidade Cruel, Kamikaze do Gueto, Facção Central, Sabotage, mas só a partir de 2015 passou a ouvir a voz da mulher dentro do movimento, meio que tarde mas por culpa do próprio espaço do rep que é predominantemente ocupado em sua maioria por homens. Pois, realmente, a mulher ainda segue invisibilizada dentro do movimento.

Com esse conhecimento ela passou a se identificar muito mais com o que aquelas mulheres tinham a dizer, pois percebia nas letras algo que também eram coisas de sua vivência, e foi nesse ano que ela conheceu as minas do rep, como, Karol Conká, Lívia Cruz, Preta Rara, Clara Lima, Tassia Reis, Flora Matos, e também começou a buscar por referências internacionais, como a repper a Lady Leshurr, uma das suas maiores inspirações, ainda mais por ser uma mulher negra e bem sucedida.


Após essa sede de conhecimento, La Lunna começou escrever em 2015 quando sentiu a necessidade de gritar o que explodia dentro de dela e dise:

Eu estava em uma fase muito complicada, pois minha mãe estava com um câncer terminal e havia pouco tempo de vida. Eu me via sem saber pra onde correr, eu precisava de alguma coisa que pudesse me trazer algum tipo de conforto, então eu decidi escrever algo em cima de uma simples base de rep do YouTube, comecei a pôr pra fora tudo o que eu estava sentindo em formas de poesias, e a cada palavra escrita eu respirava melhor. Na mesma semana eu perdi minha mãe. Após todo o trauma e tristeza eu tentei recomeçar minha nova vida... me formei na faculdade de Jornalismo, continuei escrevendo novas letras e a cada letra eu sentia que eu estava progredindo. Pensei que pudesse unir o útil ao afável, falar da minha luta como mulher, como mulher negra nas letras, toda a minha vivência; mas também sobre o que eu quero pra mim — e até hoje eu não parei. Acredito que eu não conseguiria parar, nem quero, pois eu sinto que nasci pra fazer o que eu faço hoje  — que é cantar rep —, essa é a minha história e ela não termina por aqui e nem por agora.


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