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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Gucci Mane gravou seu álbum ‘Everybody Looking’ em seis dias

Por dentro da gravação de Everybody Looking de Gucci Mane, com o super-produtor Mike WiLL Made-It e o fotógrafo Gunner Stahl.



Fotografias por GUNNER STAHL



Nesse álbum, Everybody Looking, gravado em apenas seis dias e disponibilizado em 22 de Julho, Gucci Mane se reuniu com dois de seus amigos e colaboradores mais próximos: Zaytoven, o pianista da igreja e do trap, vencedor de um Grammy e está por atrás de muitos dos primeiros clássicos de Gucci, e Mike WiLL Made-It, o produtor agora conhecido por seu trabalho com Beyoncé, Future e Miley Cyrus, e quem primeiro cortou os dentes trabalhando sob Gucci como adolescente.

O The FADER falou com Mike sobre a nova sinergia do estúdio do trio, o ritmo de gravação febrilmente legítimo de Gucci e as motivações sonoras por trás de seu novo álbum. Essa conversa está abaixo, junto com o olhar interno do fotógrafo Gunner Stahl na casa de Gucci no subúrbio de Atlanta, onde o álbum foi gravado.

Da esquerda para a direita: Young Thug, Mike Will e Gucci.

Vocês haviam discutido os seus planos para este novo álbum, antes de Gucci voltar para casa, ou você foi diretamente e fez tudo de imediato?

Mike Will: Estávamos nos falando por mensagens. Gucci disse: “Mano, me mostra as batidas.” Eu disse: “Eu não quero falar com você por essa coisa CorrLinks [serviço de mensagens da prisão].”

Então eu disse: “Esse som distorcido, esse som tipo assim.” Ele disse: “Nós temos que ter uma parada muito louca, que bata forte.” Então eu fui tocando o que ele disse no texto e essa foi a vibração que eu fiz no estúdio. Tudo o que ele me disse, foi o que eu consegui fazer. Quando ele saiu, ele estava ouvindo as batidas, dizendo, “Hum, sim, eu tenho uma música para isso.” Zaytoven enviou uma batida, “Hum, sim, eu tenho uma música para isso.” Zaytoven foi fundo e fazemos uma batida juntos, boom, escrevemos uma música para ele.

Gucci é um homem-máquina. Esse homem é uma máquina. Ele é ótimo. Não sei como era Tupac, não sei como era Biggie. Eu não podia estar lá para testemunhar isso. Mas estou aqui para testemunhar Gucci Mane e ele está fazendo história. As pessoas têm uma ideia, mas realmente não sabem. Ele é super inteligente, ele está super sinistro, ele quer ver a próxima pessoa vencer. Ele foi capaz de me ver em uma idade jovem e sempre esteve comigo. E a mesma coisa com muitas pessoas chegando. Ele ama essa música e ele é talentoso com essa merda. Estou feliz de desempenhar minha parte, porque o cara é único.



Quando você trabalhou pela primeira vez com Gucci?

Conheci Gucci quando tinha 15 ou 16 anos. Eu estava indo para o Patchwerk [Studios], trabalhando. Eu já era fã do trabalho de Gucci. Ele estava [ali] uma noite, então subi as escadas e lhe dei um CD com uns beats. Lembro como se fosse ontem. Eu estava apenas de pé no corredor e ele estava fazendo freestyle em cima de todas as batidas. Eu pensei: “Porra, esse cara está usando minhas batidas!” Mas ele não estava registrando nada. Mas ele acabou escrevendo uma música para uma das batidas. Ele estava tentando comprar a batida, logo no local.

Ele foi preso e nós ficamos sem contato, mas depois eu e Waka [Flocka Flame] nos conhecemos. Waka nos conectou de volta. Então fomos ao estúdio. Nós fizemos No Pad, No Pencil (2007), 20 músicas, em três dias. Ele usou uma das minhas batidas, ia no salão, fumava, tanto faz, ouvi-lo nos alto-falantes. Antes de sair, ele disse: “Quando eu voltar aqui, quero o próximo beat de Mike Will pronto.” O boom começou, o beat foi reproduzindo, e ele ficou fazendo freestyle. Foi assim que fizemos “East Atlanta 6”, assim que fizemos “I Smoke Kush”, é assim que fizemos tudo mais. Uma dessas músicas que ele estava fazendo freestyle ele disse, Mike Will made it / Gucci Mane slayed it. Foi assim que todos começaram a me chamar Mike WiLL-Made It.



E sobre Zay? Quais são as suas primeiras lembranças ao conhecê-lo?

Depois que fizemos No Pad, No Pencil, estávamos filmando os vídeos e Gucci me levou até Zay dizendo: “Este é Mike Will. Esse é o meu jovem nigga, leve-o sob sua asa, apenas trabalhe com ele.” Gucci costumava sempre [me apresentar] aos produtores que estavam surgindo. Eles estavam tocando suas batidas sinistras. Estava ouvindo os beats do Drumma Boy, do Shawty Redd. Então, Gucci simplesmente parou no meio e disse: “Mano, ponha suas batidas logo.” E eu estava sabendo que minhas batidas não podiam contra as deles. Mas ele sempre me colocava bem ali com eles.

Então, Zay estava comigo. Sua família vem da igreja, minha família vem da igreja. Minha mãe costumava cantar com Dottie Peoples. Zay ficou na estrada de Panola e eu em East Cobb, fora da estrada de Canton. Era uma distância de 45 minutos, mas eu costumava trabalhar todos os dias, e assim que eu saía do trabalho, eu ia para a casa de Zaytoven. Ou ia para a escola, ia para o trabalho, deixava o trabalho, ia para a casa de Zaytoven. Gucci podia estar lá, ou Rocko. Foi aí que conheci o Bankroll Fresh. E Zay sempre foi um produtor que… ele nunca ficava parado. Ele é apenas um bom espírito. As pessoas estavam lá tentando comprar batidas [dele] e ele dizia: “Esse é o meu mano Mike Will, ele também produz.”



Você e Zay estavam fazendo batidas juntos naquela época?


Nós sempre dizíamos que íamos fazer algo, mas era como... ele é tão bom que é intimidante. Eu simplesmente me sentava e só assistia. Eu estava nervoso, eu não queria ninguém na sala [quando estava fazendo batidas] porque estava pensando no que as pessoas pensariam. Eu estava no meu próprio ninho. Mas Zay costumava fazer batidas e eu dizia a Gucci: “Irmão, eu sei que posso fazer uma parada sinistra nisso.” Ele dizia: “Vá fazer alguma coisa!” E eu disse: “Nah, nah. Tem muitas pessoas aqui.”

Eu continuava fazendo o que estava fazendo, trabalhando com as diferentes pessoas com quem estava trabalhando, construindo meu time. Eu e Zay realmente fizemos nossa primeira batida juntos quando fizemos “MFN Right” [para 2 Chainz]. Nós fizemos algumas collabs para o Gucci antes, mas sinceramente não sei se essas músicas já saíram.

Agora temos uma fórmula. Mike Will vai na bateria, [Zay] vai mexendo com a melodia. São vibrações naturais. Então, quando Gucci entra. Ele é o último instrumento, ele é o vocal. Estrondo. É como uma sessão de refeição. Minha primeira vibração, a primeira vibração de Zay, a primeira vibração de Gucci. Colocamos, não pensamos demais. Vamos pensar mais tarde.



Pensar mais tarde em que sentido?

Eu sinto que esse álbum é um clássico do hip-hop. Eu realmente não tinha ouvido um álbum tão bom desde Get Rich Or Die Tryin’ de 50 Cent. Isso é o que todo mundo procura. Eu e Gucci pegamos certas referências sobre as quais estávamos falando com este álbum: All Eyez On Me do 2Pac, The Chronic do Dr. Dre. Ele mencionou Layin Da Smack Down do Project Pat. Nós estávamos falando sobre álbuns díspares e sólidos. E nós pensamos: “Nós temos que trazer esse álbum sólido de hoje.” Tem que ser alguém que vai elevar esse som de trap, essa parada do rep do Sul agora. Todo mundo está fazendo suas coisas, mas elevá-la de uma maneira diferente.

Isso soa completamente novo. Não soa como nada remotamente além disso. Mas ainda parece o clássico Gucci. Não parece que ele mudou ou ele está perseguindo um som ou ele está tentando mudar.




Você se sente mais seguro trabalhando neste ambiente com amigos?

Quando eu e Zay estamos fazendo algo para Gucci, eu penso, isso precisa ser algo para o clube. Eu sei o que as pessoas gostam de ouvir no clube, eu sei o que as pessoas gostam de ouvir no carro. E eu sei o que os produtores gostam de ouvir. Eu sei que os produtores querem ouvir a parada, como uma parada que eles não fariam. Talvez eu esteja pensando em uma melodia na minha cabeça, mas nunca vou contar a Zay sobre o que estou pensando. Ele vai me surpreender. Ele vai entrar lá e pegar em algum lugar totalmente diferente. Nós somos de dois lugares diferentes, também. Eu sou de Atlanta, ele da Bay Area. Então ele virá com um salto diferente ou ele pode simplesmente espaçar as notas e depois adicionar algo lá.

É por isso que Gucci ama nossa parada. Porque ele sabe que vamos trazer algo diferente.










Manancial: The FADER

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