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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Entrevista para o 20º Aniversário da XXL Magazine: Gucci Mane


Foto por Travis Shinn


Gucci Mane, depois de anos lutando contra a dependência das drogas e os perigos que o acompanham, Laflare ficou simplesmente feliz de marcar outra entrada no que foi um dos melhores retornos pós-prisão do rep ao lado de Tupac Shakur. Menino, foi um passeio e tanto. Ele nunca parou desde quando começou em 2001. Mesmo com todo caos que atordoou sua vida, ele deu a volta por cima como poucos e mostrou o quão resiliente ele é. E o melhor: seu sorvete tatuado no rosto não derreteu.

Gucci tem estado em todos os lugares desde que saiu da prisão em 2016, dropando três álbuns, duas mixtapes e quatro EPs no ano passado. Claro, a sua ética de trabalho musical — que também o levou a fazer parte do single “Black Beatles” multi-platinado de Rae Sremmurd — já estava com ele há muito tempo antes de ir para a prisão, mas Guwop também viajou por caminhos inesperados. Desde que retornou à música como um homem livre, ele colaborou com um grupo pop e edificou uma autobiografia que vendeu à beça. Gucci está agora, pela quinta vez na sua carreira, enfeitando a capa da XXL Magazine — para a edição especial do 20º aniversário.


Ele é o garoto do retorno, de verdade. Gucci Mane sempre encontra formas de se reinventar, mas depois de sair de uma prisão de três anos, o repper de Atlanta decidiu o suficiente e passou o último ano e cinco meses criando uma vida mais saudável, feliz e mais rica do que nunca antes. Após 11 álbuns e mais de 70 mixtapes, Guwop finalmente encontrou seu hábito como artista, empresário e mentor para as gerações do hip-hop que vieram depois dele. Através de 16 anos de Gucci,
XXL estava lá para enfatizar sua música, juntamente com seus altos e baixos pessoais e profissionais. Ele foi capa três vezes: edição de Julho de 2009 com OJ Da Juiceman, Soulja Boy e Shawty Lo; Março de 2010 sozinho e no Outono de 2016 com Young Thug. Então, já que é aniversário da XXL, obviamente ele está nessa lista.
Entrevista: Vanessa Satten


XXL: O que você acha do papel da XXL no hip-hop?

Gucci Mane: Para mim, [estar na capa] é uma realização. É como ganhar um prêmio [MTV] VMA, ou ganhar um no BET ou um Grammy. Apenas alguém reconhecendo que você tem presença, uma relevância no jogo. É por isso que a rapaziada fica louca com a cobertura Freshman todos os anos, porque é bom ser apreciado.

Qual a sua capa favorita de todos os tempos?

Minha capa favorita da XXL, de longe, é a de Baby e Lil Wayne, com todas as jóias e tatuagens. Eu sempre fui um grande fã da Cash Money, e eu simplesmente gosto dessa capa, porque quando todos deixaram a Cash Money, eram apenas Birdman e Wayne. Eram apenas eles cintilando no topo. E eles ainda estavam no topo. Eles estavam apenas mostrando a todos nós, nós ainda estamos aqui, ainda estamos indo forte e ainda estamos cintilando.

O que você acha do seu papel no hip-hop durante sua carreira?

Sinto que devo toda a minha vida ao hip-hop. Eu adoro música hip-hop em geral. Eu emergi em 2005, mas comecei a gravar +/- em 2001. Então, de 2005 a 2012, meus sete anos inteiro, eu sinto que a XXL tem sido uma grande parte da minha mensagem para o mundo.

Você tem sido muito influente para muitos artistas ao longo dos anos. Como você equilibra suas responsabilidades como um artista do rep e um mentor?

Eu amo ser um artista e adoro fazer música, mas aprendi que é apenas o meu papel. Pode ser para mim ajudar pessoas. Eu nem estou tentando ser engraçado, mas acho que não sou o melhor artista de rep que existe. Eu não sou o mais esperto, o mais articulado, mas sei como ajudar as pessoas e sei como ser criativo o suficiente para conseguir algo onde as pessoas prestarão atenção a eles. Acabei de aceitar isso. Eu consegui um talento para isso. Talvez esse seja o meu presente, para ser um A&R (Artístico e Repertório, é o departamento responsável por atendimentos gerais da empresa). Talvez meu presente seja para ser a ponte para levar os artistas ao estrelato.

Muitos o viram publicamente passando por muitas coisas na carreira: rixas, prisão, drogas, lutas, romance e tal. Como você acha que cresceu na frente dos olhos do hip-hop? Por que a XXL documentou tudo, então, o que você acha, para o público, que sua carreira tem sido?

Para o público, acho que minha carreira tem sido um monte de altos e baixos, mas acho que é uma história de retorno resiliente. Estou orgulhoso da pessoa que me tornei. Agora estou orgulhoso por ter passado por todas essas coisas e ainda estar aqui. Sinto que sou a pessoa mais resiliente da história do mundo, não só na música rep. Eu sinto tipo, para meus fãs, para meus colegas artistas, para as pessoas que me encaram, espero que vejam minha história e digam: “Este é alguém que nunca desistiria.”

Existe algo que você acha que você não teve reconhecimento suficiente?

Eu não acho que eu tive um reconhecimento suficiente por ser um letrista. Eu sinto que sou um dos mais frios, na medida em que eu ia gravando músicas, porque eram quatro ou cinco anos, onde eu simplesmente gravava como freestyle. Eu estava muito altivo, eu simplesmente gravei todas essas músicas sem compor, só no freestyle: “Lemonade”, “Photoshoot”, “Wasted”, eu fiz essas músicas em uma noite. E eu fazia 30 tapes por ano. Nunca vi ninguém fazer isso além de mim.

Como é o Gucci Mane daquela época, como 2009, 2010, diferente de quem você é agora e por quê?

Minhas prioridades mudaram quando eu cheguei no jogo pela primeira vez. Eu costumava ter tempo para ir ao estúdio o tempo todo e gravar, gravar, gravar. Mas agora, Gucci, com 37 anos, tenho que fazer turnês. Estive na minha terceira turnê este ano e esta é minha primeira vez em turnê por outros lugares, nunca feita antes. Estou escrevendo livro, fazendo endossos, tenho artistas que estou assinando agora, recebi um novo contrato da Universal Records, até o meu selo. Então, eu tenho mais responsabilidades que não posso simplesmente dedicar todo meu tempo à gravação, como costumava fazer.

Eu acho que os três anos que passei na prisão desempenharam um papel crítico em mim sendo a pessoa que sou agora. Me ensinou a realmente apreciar a minha liberdade [e] apreciar o trabalho que recebi. Respeito a posição em que participo no hip-hop. É por isso que valorizo minha saúde, valorizo o meu trabalho, ganhei milhões de dólares. Eu sou abençoado e agradeço por isso. Todos os dias eu ajo igual.

Quando você olha para a sua casa, carro, jóias, todo o dinheiro que você fez e pensa de onde você veio, você está surpreso com suas realizações?

Eu não diria que estou surpreso, mas sou grato e abençoado. Eu olho para frente não estando na estrada. Cheguei ao ponto da minha vida onde estou ansioso para ir para casa e relaxar e ficar tranquilo. Eu não acho que as pessoas compreendam a vida como se isso pudesse pagar por você. É difícil até mesmo dizer isso em palavras.



Manancial: XXL Magazine

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