DESTAQUE

COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

ERA UMA VEZ EM COMPTON: O assassinato de Biggie


Durante vinte anos, os detetives Tim Brennan e Robert Ladd da unidade de gangue patrulhavam as ruas de Compton. Eles testemunharam o nascimento e a ascensão do gangsta rep com representantes que conheceram pessoalmente, como N.W.A e DJ Quik; trataram em primeira mão o caos dos tumultos em L.A., suas consequências e a trégua que seguiu; estavam envolvidos nas investigações dos assassinatos das estrelas do hip-hop Tupac Shakur e The Notorious B.I.G., e foram os principais atores de um conflito total com a Câmara Municipal que, em última análise, resultou no encerramento permanente do Departamento de Polícia de Compton.
Através de tudo isso, eles desenvolveram um conhecimento intrincado de gangues e ruas e uma metodologia implementada pelas agências locais de aplicação da lei em todo o país. Sua abordagem compassiva e justa para o policiamento comunitário lhes valeu o respeito dos cidadãos e dos membros de gangues.

Esta história — contada com a autora mais vendida Lolita Files, cuja pesquisa com Brennan e Ladd se estendeu ao longo de quatro anos — é um vislumbre em primeira mão de um mundo durante uma era em que muitos ouviram falar em canção e lenda, mas raramente tiveram a oportunidade de testemunhar no nível do solo, de dentro para fora, através dos olhos de dois homens que testemunharam e experimentaram tudo.



O conteúdo aqui traduzido foi tirado do livro Once Upon A Time in Compton, dos ex-detetives Tim Brennan e Robert Ladd, sem a intenção de obter fins lucrativos. — RiDuLe Killah




O superastro do hip-hop Christopher George Latore Wallace, que atuava sob o nome de “The Notorious B.I.G.” e “Biggie Smalls”, foi (e é) considerado um dos maiores reppers de todos os tempos, mesmo quando ainda estava vivo. Sua ascensão parecia quase meteórica a partir do momento em que este single “Juicy” estreou no final do verão de 1994. A música foi sampleada de um hit R&B de 1983, “Juicy Fruit”, do grupo Mtume. Produzida pelo chefe da gravadora Bad Boy Records, Sean “Puffy” Combs, junto com Jean-Claude Olivier, a.k.a “Poke” (metade da agora legendária dupla de sucesso Trackmasters, também conhecidos como “Poke & Tone”), as cabeças do hip-hop em todos os lugares podiam ouvir “Juicy” no verão quando foi disponibilizada:


It was all a dream!
I used to read Word Up magazine...

O primeiro dos três singles de Ready to Die, o seu álbum de estréia (eventualmente multi-platina) no selo inexperiente da Bad Boy, “Juicy” catapultou Biggie para uma lista de artistas grandiosos. Menos de um ano depois — com “Big Poppa” sampleando Isley Brothers e também uma aparição digna de nota na canção “Can’t You See” do grupo de R&B Total, da trilha sonora de New Jersey Drive, e no verão de 1995 parecendo onipresente com o remix “One More Chance/Stay With Me”, que foi sampleado da música “Stay With Me” do grupo de R&B DeBarge e contou com sua esposa, Faith Evans e sua colega de Bad Boy, Mary J. Blige — Biggie já garantia um lugar proeminente para si na história do hip-hop como um dos melhores emcees do jogo.




Nascido e criado no Brooklyn, Nova York em 1972, Christopher Wallace era um garoto inteligente que se destacava em inglês, mas acabou abandonando a escola aos dezessete anos, cinco anos depois de já ter começado a traficar drogas. O jogo das drogas trouxe muito dinheiro, mas também trouxe desentendimentos com a lei, incluindo pena de prisão e um período durante o qual ele estava em liberdade condicional. Biggie tinha sido fortemente atraído para o hip-hop como um adolescente, muitas vezes mostrando suas habilidades no bloco (área) e em batalhas de rep. Apesar do dinheiro a ser feito em narcóticos, este seria o local onde ele iria se estabelecer e ganhar fama. Ele escolheu o nome Biggie Smalls de um personagem interpretado pelo ator Calvin Lockhard no filme de 1975 de Sidney Poitier/Bill Cosby, Let
s Do It Again. Isso lhe adequava. Biggie interpretado por Lockhart era um gangster de língua-escorregaria e bem-vestido. Wallace tinha uma habilidade aparentemente natural para os jogos de palavras suaves, profundos e com pouca palpitação que ele cuspia com tanta facilidade, amava suéteres Coogi, Versace, e jóias caras como as peças de Jesus com gelo que ele balançava com frequência, e sabia o lado escuro das ruas dos anos que ele passou vendendo drogas.


Mas houve um problema. Já havia outro repper chamado Biggy Smallz — um garoto branco, possivelmente latino, que, curiosamente, tinha uma conexão com Tupac — e supostamente essa era a razão pela qual Biggie passou a se chamar The Notorious B.I.G. O apelido original ficou preso apesar da mudança. Ele continuaria a ser chamado Biggie Smalls, e às vezes apenas Biggie, pelo mundo do hip-hop e outros pelo resto de sua vida e além, e ele ainda se referia a si mesmo pelo nome, mesmo nas músicas. Ele fez isso em 
Juicy” (“Sold out seats to hear Biggie Smalls speak...”)Big Poppa” (“Because one of these honeys Biggie gots to creep with...”), “Hypnotize” (“Dead right, if they head right, Biggie there every night...”), e várias outras músicas, tanto em suas próprias quanto em faixas com outros. Ele era grande em estatura e altura — uma figura imponente que tinha um jeito com as palavras e um caminho com as mulheres. O nome parecia perfeito. Era dele, não importava quem ligasse primeiro ou tivesse direitos legais sobre isso. O Biggie Smallz branco, a longo prazo, nunca registrou nada o suficiente no radar do hip-hop para que houvesse alguma confusão sobre quem era quem. Ele conheceu uma morte prematura em 1994.


O álbum do Biggie, Ready to Die, atingiu a cena musical com muita força. Na primeira parte dos anos noventa, a costa leste vinha marcando com obras estelares de artistas como Native Tongue, A Tribe Called Quest, que lançou o álbum instantaneamente clássico The Low End Theory em 1991, Queen Latifah, MC Lyte, e Wu-Tang Clan, Enter the Wu-Tang (36 Chambers) em 1993, e Nas, cuja introdução em Illmatic em 1994 saiu cinco meses antes do disco de Biggie e permanece, junto com Enter the Wu-Tang, entre os trabalhos seminais e mais importantes nos anais do hip-hop.


A costa oeste, no entanto, tinha sido um gigante na primeira parte dos anos noventa, de forma crítica e comercial, com o trabalho final do N.W.A, Niggaz4Life e a estréia do Cypress Hill e Yo-Yo todos em 1991; álbuns de referência do Ice Cube; um comercialmente selvagem (e descontroladamente) lançamento de MC Hammer; o surgimento de Tupac; e a poderosa estréia solo do Dr. Dre em The Chronic em 1992, seguido por Snoop Doggy Dogg (que tinha sido proeminentemente apresentado no álbum de Dre) em 1993. O lançamento de Snoop, Doggystyle vendeu mais de 800.000 unidades em sua primeira semana. O som G-Funk do Dr. Dre era pesado para um P-Funk, dando aos fãs uma dose de ritmos suaves e inteligentes sobre os ritmos familiares que faziam os corpos lotarem a pista de dança, entrando em um calafrio fácil e descontraído como cruzavam a avenida, ou ficar fumando maconha em casa no herbário homônimo do álbum. Por um tempo, pareceu a muitos como se a costa oeste houvesse sequestrado o jogo do rep e estivesse executando-o.


Então veio Biggie e Ready to Die.


Os três sucessos do álbum — “Juicy”, “Big Poppa”, e o remix “One More Chance” — tiveram grande apelo comercial. Cada sample de músicas reconhecíveis do R&B e o flow de Biggie sobre as faixas era inegável e irresistivelmente atraente.


Ready to Die estabeleceu Biggie como um rei e, mais uma vez, graças a ele, os fãs do hip-hop estavam olhando, nas palavras do Professor X do afrocêntrico grupo militante X Clan, 
“para o leste, meu irmão, para o leste”, de onde a música e a cultura se originaram.




A revista The Source tornou oficial em Julho de 1995, quando Biggie apareceu na capa de sua revista com o título, 
The King of New York Takes Over. O rep da costa leste estava de volta com uma conquista enquanto Puffy e Bad Boy Records plantavam firmemente seus pés com o sucesso Biggie liderando o caminho.


Biggie foi festejado com prêmios, incluindo Billboard e no Source Awards. Ele e Tupac tinham compartilhado uma amizade próxima até o incidente do tiroteio na Quad Recording Studios em Novembro de 1994. A chamada guerra da Costa Leste/Costa Oeste estava em pleno vigor depois disso. Muitos disseram que essa guerra foi um artifício exagerado pela mídia por causa de propaganda, vendas de discos, e uma variedade de outras razões, mas Tim e Bob viram muitas coisas que estavam acontecendo nas ruas que certamente pareciam que a guerra era real.


Depois do assassinato de Tupac e dos ataques iniciais em Compton em retaliação, conversas de retaliação dirigidas à costa leste também borbulharam nas ruas.




LEIA: GUERRAS NO REP



O depoimento que Tim escreveu sobre o assassinato de Tupac voltou a ser relevante e começou a ser falado em reportagens em todo o país. Eles se concentraram particularmente no início do depoimento, que afirmava:


Há também uma disputa entre Tupac Shakur e “Death Row Records” relacionados a “sangue” com o repper “Biggie Smalls” e “Bad Boy Records” da Costa Leste, que empregou membros da gangue “South Side Crips” na segurança.

Quando Tupac foi assassinado, Tim e Bob entrevistaram informantes que estabeleceram conexões entre os South Side Crips, Bad Boy Records, e Biggie.


O assassinato de Tupac ainda estava no topo da mente de muitos dos participantes do 11º Annual Soul Train Awards, que aconteceu em Los Angeles no Shrine Auditorium em 7 de Março de 1997, seis meses depois de Tupac ter sido baleado em Las Vegas. All Eyez On Me do Tupac até ganhou naquela noite na categoria R&B/Soul or Rap Album Of The Year.


Ninguém, fora daqueles que perpetraram o crime, poderia antecipar o que aconteceu em seguida.


Na noite seguinte, no dia 8 de Março, houve uma pós-festa no Petersen Automotive Museum. Muitos membros da indústria musical e artistas do rep e R&B participaram do evento, incluindo Puffy Combs e Biggie da Bad Boy e representantes da Death Row Records. Suge Knight, que estava preso na época, estava visivelmente ausente. Haviam também vários South Side Crips no local, bem como Bloods.


Biggie e Combs e sua comitiva permaneceram na festa até depois da meia-noite de 9 de Março, saindo por volta das 00:30. Eles lotaram dois novos SUVs — GMC Suburbans — e vários outros veículos, e deixaram o evento. Biggie estava em um dos Suburbans. Um Chevy Impala SS verde escuro, possivelmente preto, parou ao lado do SUV com Biggie dentro. O solitário ocupante do Impala, um homem vestido de trajes islâmicos, abriu fogo contra o SUV com uma pistola de 9mm.


Quatro balas atingiram Biggie, que morreria pouco tempo depois de suas feridas mortais no Cedars-Sinai Medical Centar às 1:15 da manhã.


Na época do tiroteio, vários policiais fora de serviço estavam presentes. Centenas de fãs também estavam por perto. De alguma forma, nenhum deles conseguiu o número da licença do Impala quando o atirador escapou na noite.



Cartaz de recompensa por informações sobre o assassinato do Notorious B.I.G.


Tim, Bob e a gangue Compton se reuniram com detetives de Los Angeles para discutir o assassinato. O L.A.P.D. tinha mais de vinte detetives originalmente designados para investigar o caso.


Quando Tim e Bob foram trabalhar na segunda-feira seguinte, 10 de Março, os detetives do L.A.P.D. Dave Martin e Steve Katz estavam esperando para falar com eles. Tim e Bob já haviam conversado com informantes que lhes disseram que Biggie tinha sido visto em Compton no dia 8 de Março, dia da festa no Petersen Automotive Museum. Ele foi flagrado com South Side Crips em South Park, o parque do bairro frequentado pelos membros da gangue. Outro informante disse que Biggie participou de um jogo de basquete de celebridades no estado da Califórnia, Dominguez Hills, em Carson, uma cidade ao lado de Compton.

Eles também receberam informações anônimas de que Biggie havia sido morto por causa de uma dívida que ele devia aos South Side Crips pelo trabalho de segurança que haviam feito no passado e/ou possivelmente pelos South Side Crips que assassinaram Tupac em seu nome.


Quando Tim e Bob conversaram com os detetives Martin e Katz do L.A.P.D., eles descobriram que haviam três teorias possíveis que estavam sendo investigadas. Essas três eram quase idênticas àquelas sobre o motivo por trás do assassinato de Tupac:



Teoria #1 — Biggie foi morto por causa de uma briga com membros do South Side Crips.

Teoria #2 — Biggie foi morto por pessoas da Death Row Records em retaliação pelo assassinato de Tupac Shakur.

Teoria #3 — Biggie foi morto por pessoas da Bad Boy Records como forma de disparar as vendas de sua música.

A última teoria, com Puffy estando por trás do assassinato de Biggie, espelhava o que havia surgido durante a investigação do Tupac, sugerindo que Suge Knight era o culpado. O lançamento do novo álbum de Biggie, Life After Death, apenas dezesseis dias após seu assassinato, avaliou as chamas dessa teoria como uma possibilidade, especialmente desde que o álbum o colocou encostado em um carro funerário e foi direto para o número um na Billboard dentro de uma semana de seu lançamento e permaneceu no topo do R&B/Hip-Hop Albums por quatro semanas.

Tim e Bob compartilharam com os detetives do L.A.P.D. informações valiosas que informantes forneceram e apresentaram uma cópia do depoimento de mandado de busca que tinham feito após o assassinato de Tupac que continha o parágrafo sobre a rixa entre Tupac/Death Row Records e Biggie/Bad Boy Records que estava em todos os noticiários e agora estava sendo visto como profético. Biggie e Bad Boy Records usaram os South Side Crips como garantia. A Death Row Records tinha segurança fornecida por Pirus. Era o rep da costa leste 
versus o rep da costa oeste. Bad Boy Records versus Death Row Records. Puffy Combs versus Suge Knight. Biggie versus Tupac. Crips versus 
Bloods.

Os detetives do L.A.P.D. tinham uma lista de apelidos que eles haviam pego com base nas várias pistas que tinham sobre o assassinato do Biggie. Tim e Bob analisaram a lista e forneceram os nomes reais dos indivíduos que correspondiam aos apelidos. A maioria era South Side Crips que eram membros da Burris Street Crew que incluía Duane Keith “Keffe D” Davis, Orlando “Baby Lane” Anderson, Michael “Lil’ Owl” Dorrough, Deandre “Dre” Smith, Terrence “T-Brown” Brown (a.k.a 
Bubble Up”), Wendell “Wynn” Prince, e Corey Edwards. Tim e Bob deram aos detetives fotos e outras informações. Quando se encontraram com os detetives do L.A.P.D. durante as próximas semanas, um desenvolvimento interessante estava ocorrendo simultaneamente no território South Side Crip. Uma briga interna violenta entrou em erupção entre duas facções do South Side Crips — o Burris Street Crew e o set Glencoe — deixando várias pessoas feridas e alguns mortos.


Mais uma vez, assim como depois que Tupac foi baleado em Las Vegas e morreu alguns dias depois, a guerra irrompeu nas ruas de Compton, na esteira de outro assassinato de alto perfil do hip-hop.


Tim e o detetive Martin do L.A.P.D. reuniram-se com um informante do South Side Crips que esboçou uma conexão entre membros do South Side Crip e Biggie que voltavam de um show de Jodeci dois anos antes, onde Keffe D, Orlando Anderson, e outros se ofereceram para garantir segurança ao repper na costa oeste. Segundo seu informante, Biggie concordara com esse acordo. Os South Side Crips foram apresentados a Biggie e Combs por um traficante de drogas de Nova York chamado Eric Martin, a.k.a 
Zip, que tinha conexões tanto com a Bad Boy Records quanto com membros do South Side Crip. Zip tinha feito negócio de drogas com os South Side Crips por quase uma década. Ele também era o padrinho do filho de Biggie com Faith Evans. Faith, em sua declaração à polícia nos meses após o assassinato de Biggie, identificou Zip como alguém que trabalhava para a Combs. Zip foi identificado na declaração sob o nome de Equan Williams.


Nos anos que se seguiram depois que Biggie supostamente concordou com o acordo com os South Side Crips, eles forneceram segurança para o repper sempre que ele estava na cidade.




Tim e Bob revisaram uma fita de vídeo que um patrono da pós-festa do Petersen Automotive Museum havia feito na noite de filmagem de Biggie. O L.A.P.D. tinha recuperado de alguém no Texas. A fita mostrou eventos que ocorreram na época do tiroteio, mas Tim e Bob não conseguiram fazer nenhuma identificação.


O L.A.P.D. deu-lhes cópias de esboços feitos do atirador, junto com uma descrição do Chevy Impala SS verde escuro ou preto que raramente tinha sido visto em Compton.


Tim e Bob, no entanto, tinham visto e parado três desses veículos muito em torno deste tempo. Um deles era um SS preto que tinham visto em várias ocasiões conduzido por Tony Lane, um Tree Top Piru que eles tinham prendido muitas vezes no passado por violações de drogas. Lane cresceu com DJ Quik e vários membros da Death Row. Ele era um fornecedor de drogas de alto nível bem conhecido em Compton.


Outro SS que viram foi um carro preto que havia sido convertido de um Caprice. Era de propriedade e dirigido por um homem chamado Ian Salaveria, a.k.a “Lil Spank”, que era um South Side Crip. Tim e Bob prenderam Lil Spank várias vezes no passado por coisas como acusações de arma e assassinato. Salaveria estava com Darnell Brim, o OG South Side Crip e atirador, quando Brim foi baleado nas costas no que foi considerado a primeira resposta de retaliação em Compton, na sequência do tiroteio em Tupac em Las Vegas.


O terceiro e mais interessante Impala SS que Tim e Bob viram sobre a cidade era novo, preto, e de propriedade de Keffe D. Eles foram informados por informantes que o veículo estava atualmente sob uma cobertura de carro no quintal da casa da namorada de Keffe D e que não tinha sido dirigido desde a noite do assassinato de Biggie.


Tim e Bob conheciam bem Keffe D, é claro, mais recentemente em relação ao caso Tupac. Desde os seus primeiros encontros com Keffe D nos anos 80, eles o observaram evoluir de um traficante de pequeno porte para um traficante interestadual de grandes quantidades de drogas.


A disputa interna entre o Burris Street Crew e o set Glencoe — ambas as facções no South Side Crips — estava indo a todo vapor enquanto Tim estava prestes a escrever outro depoimento de busca de South Side Crip como ele tinha feito para a investigação do assassinato do Tupac. Seu plano era incluir a residência de Keffe D e a casa de sua namorada como locais a serem revistados.


Os mandados de multi-localização de Tim foram servidos às seis da manhã de 25 de Maio de 1997. Os investigadores principais no caso do assassinato do Biggie  Russell Poole e Fred Miller  foram designados para acompanhar os policiais de Compton até a casa da namorada de Keffe D em 1524 South California Avenue. Isto era supostamente onde o Chevy Impala SS preto de Keffe D estava escondido no quintal debaixo de uma cobertura de carro.


Várias prisões foram feitas por armas, violações de narcóticos, e assassinatos em vários locais onde os mandados foram cumpridos. Significativamente, o Impala SS preto de Keffe D foi, de fato, encontrado no quintal de sua namorada sob uma cobertura de carro, exatamente como os informantes de Tim e Bob haviam dito. O veículo foi apreendido por L.A.P.D.


Keffe D contratou Edi Faal, o mesmo advogado que havia sido contratado por seu sobrinho, Orlando Anderson, após o assassinato de Tupac. Faal tinha representado com sucesso Damien “Football” Williams, um 8-Tray Gangster Crip que foi um dos suspeitos acusados de agredir Reginald Denny na esteira do veredicto no caso de Rodney King em 1992.


Nos meses seguintes, vários South Side Crips foram entrevistados pelo L.A.P.D., com muitos admitindo que conheciam Biggie e conversaram com ele na noite de seu assassinato. Todos eles negaram ter qualquer envolvimento. Vários meses após a investigação, os detetives do L.A.P.D. investigaram o contato dos South Side Crips com Tim e Bob dizendo que tinham feito várias ligações entre Biggie, os South Side Crips, e traficantes de drogas nas costas leste e oeste. Eles haviam conversado com Keffe D, Orlando Anderson, Deandre Smith, e outros, e sabiam que estavam presentes no Petersen Automotive Museum na noite do assassinato do Biggie.



Os detetives do L.A.P.D. acreditavam que os South Side Crips precisavam ser mais investigados, mas Russell Poole, que era um dos principais detetives do caso, acreditava que a única teoria verdadeira era que Death Row e seus associados, incluindo oficiais do L.A.P.D., estavam por trás do assassinato. Poole não investigou mais sobre os South Side Crips.



Um dos detetives do L.A.P.D. disse a Tim e Bob que Poole tinha várias teorias de conspiração que pareciam absurdas. Poole retirou-se do L.A.P.D. em protesto em 1999 depois de ser ordenado a parar de investigar sua teoria da Death Row estando por trás do assassinato do Biggie. O livro LAbyrinth, um profundo relato do jornalista Randall Sullivan que detalha as alegadas descobertas de Poole, confundiu ainda mais a investigação para aqueles que continuaram a trabalhar no caso.


Em Agosto de 2015, quando Russell Poole se reunia no Departamento do Xerife de Los Angeles com detetives de homicídios para tratar dos casos do assassinato do Tupac e Biggie, ele morreu repentinamente do que parecia ser um ataque cardíaco.


Em 2012, Greg Kading publicou Murder Rap: The Untold Story of the Biggie Smalls & Tupac Shakur Murder Investigations. O livro abordou o trabalho de Kading na força-tarefa do caso Biggie Smalls que foi criada em 2006. Tim também fazia parte da força-tarefa.


Kading afirmou em seu livro que a namorada de Suge Knigh (mencionada no livro como Theresa Swann), entre outros, sugeriu que Knight pagou a Wardwell Fouse, a.k.a “Poochie, treze mil dólares para atirar em Biggie.



Wardwell “Poochie” Fouse

As investigações de Tupac e Biggie foram paralisadas.

Suge Knight estava na prisão cumprindo um mandato de nove anos por violação da liberdade condicional. Orlando Anderson estava processando Suge, Death Row Records e a propriedade de Tupac por agredi-lo em Las Vegas. Por sua vez, a mãe de Tupac, Afeni Shakur, estava processando Orlando Anderson pela morte injusta de seu filho.


Tim e Bob continuaram a conversar com vários informantes sobre os assassinatos de Tupac e Biggie, bem como assassinatos envolvendo Death Row. Eles reuniram anos de inteligência sobre esses casos, apenas para ter seus esforços abruptamente interrompidos antes que eles pudessem concluir suas investigações. Ambos acreditam firmemente que, se tivessem permissão para continuar, teriam produzido mais evidências sobre os assassinatos envolvidos nesses casos.





Manancial: Once Upon A Time in Compton

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