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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Um pouco sobre o lado controverso de Eminem


[Em 2001], apesar de sua vida estar um caco, sua carreira continuava ótima. O fato foi considerado “o abraço que repercutiu no mundo inteiro”, por causa de suas antigas letras homofóbicas.

Ele causou muita controvérsia. As pessoas o acusavam de ser homofóbico e compor letras machistas. Digamos que Em era uma praga na música pop. Ele fez o que ninguém esperava: se apresentou com Elton John no Grammy. Isso mostrou que a mensagem da “Stan” e da musica de Eminem no geral transcendia o que os críticos diziam.

“Elton John é um apreciador de música muito astuto e muito apaixonado”, disse Randy Lewis, jornalista do Los Angeles Times. “Ele reconheceu o talento de Eminem e teve a sensibilidade de perceber a ironia e sátira. É algo difícil na música pop.” Tudo isso aconteceu numa época em que as pessoas protestavam contra Eminem. Gente do mundo todo o condenava pelo que achavam que ele era, principalmente pela homofobia. Grupos pelos direitos de gays e lésbicas do mundo todo condenavam as letras e o consideravam um homofóbico que incentivava e aprovava a violência contra homossexuais, mas lá estava ele, no palco com Elton John. O que isso significava? Lembre que seu artista, que cresceu sendo humilhado, se identifica com a vítima, e não com o agressor. Foi um garoto que apanhou por causa da cor da pele, apanhou por ser pequeno, apanhou por ser tímido, apanhou por não se adequar. Este homem seria mesmo alguém que gostaria de ver o mesmo acontecer com outras pessoas que não se enquadram ou não são aceitas? Não. O que ele quis dizer, de fato, ao dividir o palco com Elton John foi: “Aceitem isto. Se acham que sou um homofóbico furioso, aceitem isto e procurem entender.”

O ano 2002 foi incrível para Eminem. O terceiro álbum, The Eminem Show, foi disponibilizado e logo virou sucesso, indo direto para o primeiro lugar nas paradas. Um disco que fala da ascensão à fama, da relação com Kim e Hailie e seu status na comunidade do hip-hop. Eminem estava no auge, não só como repper, não só como astro do pop, mas como ícone cultural.

The Eminem Show foi outro exemplo de como ele era forte na música da época. Foi o mais vendido de 2002. Nenhum outro chegou perto. O primeiro single foi “Without Me”, que seguiu a linha de “The Real Slim Shady” e “My Name Is”. Um verso da música [“Without Me”] faz total sentido: “Adivinha quem voltou?” Porque, na verdade, tudo que ele teve que fazer foi voltar e fazer o que faz de melhor, sem precisar mudar muito a fórmula. As pessoas queriam aquele Eminem.




No mesmo ano, 50 Cent assinou com a Shady Records, gravadora de Eminem fundada em 1999.

Eminem era estranho no ramo por ser branco e vir de Detroit. 50 Cent tinha irritado tanta gente por ser uma bomba-relógio, que os dois se assemelham. O contato com 50 provou que Eminem era mais do que um bom repper. Ele havia se tornado parte integral da cultura popular americana.

Logo Eminem estreou em Hollywood no filme 8 Mile. Foi a realização de um sonho revelado a Dr. Dre na primeira vez que se viram. Na época, Eminem disse: “Eu e Dre temos falado sobre um filme que queremos fazer”, ele continua. “Falamos disso há um ano. Pensamos em fazer um filme baseado na minha vida.”

O filme foi uma ótima estreia do repper como ator. Ademais, ele provou que não podia ser rotulado. Foi uma experiência incrível para Em e para os telespectadores em casa, que não sabiam o que ele era capaz de fazer. 8 Mile foi capaz de superar tudo. Nele é possível vermos um Eminem sem nenhuma restrição, sendo ele mesmo, expressando seus sentimentos e emoções com crueza, intensidade, pureza, e uma habilidade que raramente se vê. Ele despiu sua vida por completo e disse ao mundo: “Eu sou assim, aceitem.” Ele já fazia isso na música e, em 8 Mile, mostrou não só sua capacidade como ator, para expressar sua intimidade e sua personalidade na tela, com um desempenho de que qualquer ator se orgulharia.

Ele gravou canções para a trilha sonora, inclusive “Lose Yourself”, que ganhou Oscar de melhor canção original em 2003. “Lose Yourself” tem uma grande intensidade, um ritmo marcado. Ele rima uma palavra atrás da outra com uma técnica impecável. Antes de “Lose Yourself”, o que costumava vencer era a trilha sonora do filme de 1992 O Guarda-Costas, ou Bruce Springsteen com Streets of Philadeplhia. O hip-hop era completamente alienado daquele mundo.

Como era de se esperar, Eminem não compareceu ao Oscar. A Academia precisava dele mais do que Eminem dela. Eles queriam o público que aquilo poderia atrair.

Em 2004 saiu seu quarto álbum, Encore. Digamos que foi um álbum errático, sem muita emoção, um de seus maiores sucessos é dele: “Just Lose It”, que foi um ataque a Michael Jackson. As pessoas disseram: “Dessa vez ele foi longe demais.” Não pela controvérsia, mas pelo mau gosto. Stevie Wonder disse que era como chutar cachorro morto. Se Stevie Wonder estava criticando era hora de dar uma brecada. Uma semana depois, Michael ligou para o programa de Steve Harvey e relatou seu desconforto com o clipe.

Michael Jackson não foi o único incomodado com Encore. Dizem que Eminem foi investigado pela CIA após, supostamente, ter ameaçado o presidente George W. Bush nas canções “We As Americans” e “Mosh”.


O que eu digo é controverso. Apenas digo o que penso. Então dizer o que penso me torna controverso. Digo o que está na minha cabeça. — Eminem




“A canção ‘Mosh’ é bastante política”, disse Ben Westhoff, crítico de música. “Foi na época em que John Kerry disputou com George Bush nas eleições presidenciais. Ele assumiu uma posição firme contra Bush.”



Manancial: Eminem - Behind the Lyrics

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