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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Racionais MC’s: O N.W.A do Brasil


Foi o Racionais MC’s que me mostrou o caminho para peregrinar pelo mundo do Hip-Hop. Através de uma imensa lista de músicas baixadas aleatoriamente no Ares, quando eu tinha mais ou menos 12-13 anos de idade, “Vida Loka (Pt. I)” estava incluída, assim como “Until the End of Time” do grandioso filho de uma Pantera Negra Tupac, foram  parar no meu MP3 e ali foi o começo de uma obsessão incomensurável que me transborda cada vez mais e mexe com o meu interior.

Fundado por volta de 1988, o N.W.A do Brasil presenciou um caótico “Pânico na Zona Sul” enquanto subia a montanha do sucesso. Os quatro niggas mais perigosos do país lidaram com muitas “Mulheres Vulgares” durante sua dura caminhada para chegar onde estão atualmente. Já se viram, como milhares de seres humanos — se não todos —, em um “Beco Sem Saída”. Precisaram passar por vários “Tempos Difíceis” para aprender a valorizar a boa fase. Precisavam fazer jus ao nome que representavam-nos. Eles não podiam agir pelo oposto. Era tudo calculado minuciosamente, mesmo encarando as dificuldades da época. Eles tinham “Racistas Otários” sempre incomodando, achando que cor da pele define caráter. Por isso, mesmo caminhando sobre cacos, nenhum deles era um “Negro Limitado”. Logo, ergueram a cabeça e seguiram em frente, enfrentando as adversidades com sua “Voz Ativa”. Afinal, ninguém poderia falar por eles. Nessa selva é cada um por si.

Em 1993, eles tiraram um Raio X do Brasil, mostrando à população negra e pobre das periferias de São Paulo e de todo o Brasil que eles não estavam sozinhos nessa vida. Era a música dos esquecidos pelo governo impiedoso que o Brasil tinha — e tem até hoje. Eles não podiam vacilar. A responsabilidade estava aumentando, visto que estavam se tornando virais nos quatro cantos do país. Como o N.W.A em South Central Los Angeles, estavam se tornando a voz do povo. Estavam se tornando temidos. Esses quatro niggas perigosos se tornaram imparáveis. Suas músicas estavam se tornando hinos do gueto. Milhões nunca tiveram um “Fim de Semana no Parque”. Milhões foram um “Homem na Estrada”. Milhões viram aquele “Mano na Porta do Bar”. E, para a indignação deles, milhões foram ao “Júri Nacional”.

Sua trajetória proporcionava esperança às pessoas que nunca pensariam que seriam bem representadas. Até então ninguém nunca havia realizado um trabalho tão sinistro. Quatro anos depois, eles começaram a perceber que estavam Sobrevivendo no Inferno mas também cônscios de que as coisas progrediam. Independente de passar os perrengues, era no palco que tudo aparentava nunca existir. O “Capítulo 4, Versículo 3” desses caras era uma realidade não muito distante da atual. Um monte de “Rapaz Comum” estava sendo injustiçado por aí — e o que Edi Rock queria era que Deus ouvisse sua voz, como no mundo “Mágico de Oz”. Porém, graças ao descaso do governo com a população, “Periferia é Periferia (Em Qualquer Lugar)”. Ela nunca é lembrada. Inúmeros presos dessas periferias escreveram seu “Diário de um Detento”. Eles precisavam botar para fora sua raiva. Dor. Angústia. Sofrimento. Insônias. Saudade. Mas se perguntavam, no entanto: Em “Qual Mentira Vou Acreditar?” Porque para cada “Tô Ouvindo Alguém me Chamar” existia uma esperança que iluminava o túnel deles, sonhando em encontrar a “Fórmula Mágica da Paz” ao sair daquela cela desconfortável e destruidora de sonhos.

Verdade seja dita: Nada como um dia após o outro dia. Hoje você perde, amanhã você vence. Hoje você tropeça e eles dão risada, amanhã é a vez deles tropeçarem e você fingir que não viu, porque sua maturidade fala mais alto. Os Racionais passaram cinco anos calados, ponderando as atrocidades da política brasileira contra seu povo, presenciando preconceitos, para depois, não porventura, mostrar que “A Vida é Desafio”. O trauma que eles carregavam nunca foi nenhuma novidade. Ser um “Nego Drama” não era algo a ser condecorado. Mas independente de todos os problemas, eles sempre iam “Na Fé, Irmão”. A necessidade falava mais alto. Eles precisavam disso. Era o estímulo. Era o êxtase. Digamos que [a fé] era a única coisa que restava dentro deles, diante de todo sofrimento. E se você não estivesse ciente de que vale o que tem, não saberia que a vida sempre foi “1 Por Amor, 2 Por Dinheiro”. Infelizmente é assim que as coisas acontecem; mas eles estavam “Vivão e Vivendo”, no entanto. Como se não bastassem estar rodeados de problemas, E.D.I. R.O.C.K. se envolveu em um acidente de carro em 14 de Outubro de 1994 com seu Opala cinza escuro, 2Pac no alto-falante. “Mano, foi um arregaço na [Avenida] Marginal [Tietê], você capotou, teve até uma vítima fatal, da Zona Sul e tal”, disse Ice Blue à Edi, que só foi acordar no hospital. Ele ainda tinha muito para viver, e graças a Deus não foi “A Vítima” que infelizmente foi chamada pelo Senhor. “Virei notícia, primeira página. Um paparazzi focalizou a minha lágrima. Um repórter da Globo me insultou, me chamava de ‘assassino’... Aquilo inflamou”, lembra ele. Mas em “Eu Sou 157” Brown e Blue botaram para foder com uma narração ímpar, que te faz devanear, escrever um filme. Afinal, a “Vida Loka” deles estava chegando ao fim, para cessar o choro e consagrar só as risadas...

Na outra parte, eles ainda tinham muito para mostrar, e foram obrigados a compor “Vida Loka (Pt. II)” para deixar claro o quanto suas idéias estavam borbulhando dentro de suas mentes nada mórbidas. Eles estavam “De Volta à Cena”, filho. Era outra fita. “Otus 500”. Foi aí que entrou a idéia quente sobre o quanto a humanidade é má, e até “Jesus Chorou”. É louco o bagulho. Arrepia na hora. O “Expresso da Meia-noite” mostrava muita coisa que não se via durante as luzes do sol. É onde o “Crime Vai e Vem” o tempo todo quando anoitece. Tiveram que provar que nem tudo era flores. Ainda que estivessem vivendo seu “Estilo Cachorro”, muita coisa aconteceu “Da Ponte Pra Cá”. Nem metade aparece na mídia. Ninguém tem noção de quantos “Trutas e Quebradas” foram relegados. É quente.

E para mostrar a importância das Cores e Valores, em 2014, cada “Preto Zica” compôs suas rimas sem que nenhuma faixa passasse dos cinco minutos. Teve até Trap. Teve finalização no Quad Studios, Nova York, onde Tupac foi baleado em 30 de Novembro de 1994. Já era tudo muito diferente nesses doze anos desde o último álbum. “A Praça” estava lotada quando Mano Brown perguntou “Quanto Vale o Show?” Eles estavam em outro nível, vivendo entre “O Mal e o Bem”, para que não fossem submetidos a peregrinar por nenhuma “Trilha” estreita.

Esse é o Racionais MC’s, diretamente da Zona Sul de São Paulo.

1 comentário:

  1. O MELHOR GRUPO DE RAP DO BRASIL DE TODOS OS TEMPOS

    CORREÇÃO Nome das musicas
    Musica JURI RACIONAL
    Musica NA FÉ , FIRMÃO

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