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COMERCIANTES DO CAOS – PARTE UM

Resenha: Daniel Shadow “Não Pise na Grama”


Antes de sair do Cartel, Dowshé montou a Tudubom Records com MãoLee e Filipe Ret — e pela mesma dropou o disco do Cartel #PulpFiction —, e assim que decidiu seguir solo, dropou sua estréia, Tudo ou Nada (2014), pela Tudubom. Um disco intrínseco, cheio de linhas reflexivas, filosóficas… não precisa ser muito estudado para sentirmos que é bom e ímpar. De lá para cá não parou de trampar: só em 2017 dropou os singles “Partiu Sem Nada” (part. Adonai), “Canto Pra Chamar”, “Tudo Vai Passar” (part. Delacruz), “Nada Pessoal” (part. Kayuá), “Alvo” (part. MV Bill); e em 2018, “Flow Madlib” (part. De Leve), “Débito” (part. Sant, Tiago Mac), e “Gênios Indomáveis” (part. Gabriel Sten, do Camaradas Camarão). Em sumo, é trampo pacaralho.

Em parceria com Chris Beats, “Não Pise na Grama” é um single que mostra a (trágica) realidade do nosso país, e que em Outubro votaremos para decidir quem vai continuar nos controlando — infelizmente essa é a realidade.

Ele comentou comigo sobre esse novo registro:

“Esse título ‘Não Pise na Grama’ tem a ver com a história da imposição, né, cara, das leis que são criadas por pessoas que se favorecem delas, tá ligado? (…) Quem cria as leis é quem mais se beneficia delas, tá ligado? São as elites, são aquelas que… são aquelas que têm mais influência.

Hoje em dia os cargos públicos, os governantes eles são eleitos por causa do dinheiro que os ricos têm para fazer a campanha deles, para… enfim… o nível de influência, de poder que esses caras mais ricos, empresários têm conseguem disseminar o nome daquele candidato de uma maneira mais convincente por conta de campanhas, e esses candidatos são simplemente testa de ferro desses caras, tá ligado? E por conta deles eles conseguem aprovar as leis, ou mudar certas leis que favorecem esses mega empresários para eles continuarem super ricos.

‘Não Pise na Grama’ é um pouco de questionamento com isso. Por que que eu não posso pisar na grama? Porque isso é uma lei? É uma coisa mais subjetiva mas que remete a isso tudo. E a música ela fala sobre isso, sobre a gente achar que está livre mas na verdade a gente está preso dentro de uma organização que não nos favorece, que não pensa em nós. É um sistema todo criado e direcionado para manter privilégios e práticas antigas que favorecem minorias. Minorias poderosas e ricas. O sistema global é esse.”




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